O Grupo Viralcool controlado pela família Tonielo, formalizou a transição e assumiu a unidade da Usina Furlan em Avaré (SP) em setembro de 2026.
Detalhes da Aquisição:
- Valor do Investimento: R$ 150 milhões via modelo de financiamento DIP (DIP Financing) para criar a Unidade Produtiva Isolada (UPI) de Avaré.
- Ativos Envolvidos: A operação inclui a planta industrial centenária em Avaré, além de cerca de 2.300 hectares de terras próprias e canaviais estratégicos.
- Expansão do Grupo: Com a conclusão da transição da Furlan e a recente compra da Usina Andrade (da Tereos), o Grupo Viralcool alcançou a marca de cinco usinas no estado de São Paulo, somando unidades em Sertãozinho, Pitangueiras, Castilho, Ibitiúva e agora Avaré (IA Google; 27/9/26)
Caso Master lança suspeita sobre origem de precatórios de usinas

- Vorcaro investiu R$ 14,3 bi em ações contra o poder público que dependiam de tribunais para serem lucrativas
- Indícios levaram o CNJ a cancelar o pagamento de R$ 4,7 bi em precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido direitos ao Master
Em uma nova frente de investigação das fraudes do Banco Master, suspeita-se que um dos ramos de atuação da gangue de Daniel Vorcaro era o suborno de juízes, tentado ou bem-sucedido, a fim de obter ganhos no mercado de precatórios —dívidas do setor público arbitradas pelo Poder Judiciário.
Como revelou a Folha, Vorcaro tem ao menos R$ 14,3 bilhões investidos em ações judiciais dependentes de decisões de tribunais para se tornarem lucrativas. Tais ativos estavam entre os principais negócios do Master, operados no mercado de valores a receber de precatórios.
Embora em grande parte rotineiro e regular, esse mercado cria um incentivo para a manipulação de processos. É possível, por exemplo, comprar o direito de receber um possível precatório —e é fácil entender que uma decisão judicial favorável valoriza esse direito de modo substancial.
Quanto menor a probabilidade de sentença favorável, maior o deságio a ser pago na compra desses chamados pré-precatórios e maior o ganho em caso de sucesso. Subornar juízes pode vir a ser investimento rentável.
Mensagens dão a entender que Vorcaro investiu na compra de favores e amizades também em tribunais superiores. Tinha interesse, por exemplo, em indenizações reivindicadas por empresas supostamente prejudicadas pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), monstrengo corrupto e burocrático de intervenção na economia extinto em 1990.
Chama a atenção, ainda, o exorbitante contrato de até R$ 427 milhões firmado entre o Master e a advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região —ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques e alvo de operação do Conselho Nacional de Justiça nesta quinta (24).
O mesmo CNJ cancelou o pagamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido direitos ao banco. A medida protege por ora o dinheiro do contribuinte, mas resta muito a ser investigado.
De 2023 a 2025, o governo federal pagou em média R$ 112 bilhões em precatórios e RPVs (requisições de pequeno valor), o equivalente a mais de 4% da despesa. Os valores incluem atrasados por manipulações fiscais do governo Jair Bolsonaro (PL), mas são crescentes. De 2008 a 2014, foram em média de R$ 32 bilhões por ano. De 2019 a 2021, de R$ 62 bilhões.
Em 2025, 42,7% da despesa referia-se a benefícios previdenciários; cerca de 9%, a casos de servidores; 42,3%, aos “demais”, onde estão grandes dívidas.
Essa montanha de débitos pode se originar de incompetência, mau funcionamento da máquina pública ou leis ruins. O grande negócio pode estar em processos antigos e de origem suspeita.
Vorcaro decerto não é o único a atuar nesse universo. É preciso criar um sistema que permita lançar mais luz sobre os riscos não apenas fiscais, mas criminais, desse tipo de despesa pública (Folha, 26/9/26)










