Confira as notícias do Agronegócio no Paraná

Aprovação do marco temporal no Senado amplia desgaste com STF

Senadores aprovaram PEC sobre o tema nesta terça (9), um dia antes de STF analisar ações relacionadas ao assunto.

O Senado aprovou nesta terça (9) o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Ele foi aprovado por 52 votos favoráveis, 15 contrários e uma abstenção, seguindo agora para a Câmara dos Deputados.

Os senadores “furaram” o STF (Supremo Tribunal Federal), que analisará ações sobre o tema ao longo desta quarta (10) em plenário físico.

O texto diz que os povos indígenas só podem reivindicar terras ocupadas ou sob disputa até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Essa previsão é criticada pelos povos originários, que alegam risco aos territórios já demarcados, e defendida pelo agronegócio, que reclamam da quantidade de terras indígenas.

Marco temporal: entenda imbróglio entre Senado e STF sobre terras indígenas

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) estava parada na Casa desde junho de 2024, após um pedido de vista na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça). Ela foi votada no Senado em um regime especial, tendo a tramitação acelerada.

O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), disse que a decisão do Senado não é o fim da discussão do tema.

“Entendo que esse problema só se resolverá quando a gente fumar o caximbo da paz entre indígenas e não indígenas pra pacificar o território nacional”, disse Wagner.

O Congresso havia aprovado, em 2023, um PL (Projeto de Lei) que estabelecia a tese do marco temporal. Posteriormente, a medida teve vários pontos vetados pelo presidente Lula – que seriam derrubados depois pelo Legislativo e, sessão conjunta da Câmara e do Senado.

A votação do Senado é mais um sinal da tensão entre os poderes Legislativo e Judiciário. Isso porque o Supremo Tribunal Federal também tem na pauta desta semana uma sessão sobre a tese do marco temporal.

O relator da proposta, Esperidião Amin (PP-SC), criticou a atuação da Corte.

“O Supremo tem agendada uma sessão pra debater a lei do marco temporal. Isso sim seria uma nova frente de insegurança jurídica. Agora, já temos a decisão do Senado Federal”, afirmou Amin após a aprovação do texto.

O STF julga quatro ações ligadas ao marco temporal, sendo que três delas contestam a constitucionalidade da medida e uma a defende. A Corte, também em 2023, havia considerado a tese inconstitucional.

Tentando contornar o imbróglio, o ministro Gilmar Mendes realizou uma série de audiências de conciliação e montou uma comissão especial para buscar consenso. A partir dessas reuniões – algumas delas, sem a participação de indígenas –, foi formado um texto que também será votado pelo plenário do STF e, posteriormente, enviado ao Congresso (CNN Brasil, 9/12/25)

Compartilhar:
Aprovação do marco temporal no Senado amplia desgaste com STF
Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Ao usar este site você concorda com nossos Política de Proteção de Dados.

Central de Atendimento

Contato: André Bacarin

    Acesse o mapa para ver nossa localização