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São Martinho investirá R$ 1,1 bilhão para dobrar usina de etanol de milho

Possibilidade de uso de energia cogerada do bagaço e crédito com fomento viabilizaram decisão.

A aposta da São Martinho no etanol de milho demonstrou dar tanto resultado que a companhia decidiu agora dobrar a aposta. Em reunião do conselho de administração nesta segunda-feira (11), a companhia deu aval para um novo investimento de R$ 1,1 bilhão na ampliação da planta localizada em Quirinópolis (GO), anexa à sua usina de cana Boa Vista.

O projeto prevê ampliar a capacidade de processamento de milho em 635 mil toneladas anuais, mais do que duplicando a capacidade atual, de 500 mil toneladas. Apenas a nova fase da fábrica permitirá que a companhia produza 270 milhões de litros de etanol ao ano, o que elevará a capacidade total de etanol de milho da companhia para 485 milhões de litros.

Há tempos que a São Martinho vem “namorando” com o projeto de ampliação de sua usina de etanol de milho, mas o negócio precisou se provar viável. No primeiro trimestre desta safra, o negócio de milho contribuiu, sozinho, com 30% de todo o lucro antes de juros e impostos (Ebit) da companhia.

Segundo Fábio Venturelli, CEO da companhia, foi fundamental para destravar o projeto a possibilidade de usar a energia cogerada do bagaço da cana da Usina Boa Vista. “Nós já temos a biomassa, diferentemente dos concorrentes que fazem planta autônoma, que têm que pensar em comprar e plantar eucalipto”, disse.

A companhia calcula que economiza R$ 120 milhões ao ano ao deixar de comprar cavaco de madeira no mercado, pelos preços atuais, para utilizar a energia que já gera em sua caldeira na planta de cogeração, afirmou o diretor financeiro Felipe Vicchiato.

A decisão sai em meio a uma melhora do cenário de mercado do etanol, com o aumento da mistura do anidro à gasolina para 30% (E30), perspectivas de demanda para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), além das boas projeções para a produção de milho, e com a oferta de instrumentos de crédito com fomento.

“Pelo contorno do projeto, saímos na frente em pegada de carbono, pela biomassa da cana. Qualquer que seja o mercado, a gente está preparado para atender as normas de certificação”, ressaltou Venturelli.

Financiamento

Mas o fator determinante para destravar o investimento foi a obtenção das linhas de crédito de fomento. A companhia acertou R$ 728 milhões em financiamentos, sendo R$ 500 milhões via BNDES Fundo Clima, R$ 125 milhões via BNDES Finem e R$ 100 milhões via Finep. No conjunto, essas linhas têm um prazo de 12 anos, com dois de carência, e custo médio de 8,5% ao ano.

Apesar do montante, o investimento será dividido em três safras. Neste ciclo 2025/26, a companhia vai desembolsar 40% do valor orçado. A maior parte do investimento (55%) será feito na próxima safra (2026/27), e o restante será investido em 2027/28. A previsão é de que no segundo semestre de 2027 a unidade comece a operar.

Boa parte dos investimentos será para a integração com a usina de cana em Quirinópolis. Segundo Vicchiato, a possibilidade de ter, ao fim do projeto, uma usina com capacidade de moagem de mais de 1 milhão de toneladas de milho só é possível porque a Usina Boa Vista também é grande, com capacidade de moagem de 5,2 milhões de toneladas de cana por safra.

Ainda segundo o diretor financeiro, a taxa interna de retorno (TIR) do projeto é esperada é de mais de 25%, considerando projeções “conservadoras” para preços de petróleo, etanol e milho.

Novos mercados

O novo projeto também permitirá a produção adicional de 170 mil toneladas de DDGS e 13 mil toneladas de óleo de milho anuais, além de prever melhorias na caldeira da unidade de cogeração a partir do bagaço da cana, o que permitirá maior geração de vapor.

O investimento potencializa a atuação da São Martinho em “novos mercados”. “Para nós é muito importante ter diversidade de origem de Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização]. Quando trabalhamos com base agrícola e produzindo energia, quanto mais diverso for o portfólio, mais resiliente [a empresa] fica diante dos ciclos de cada commodity”, disse.

Além dos negócios de cana e milho, a São Martinho concluiu recentemente a construção da planta de biometano, que agora está em fase de testes.

Balanço do 1º trimestre

No primeiro trimestre da safra atual, somente a receita do negócio de milho (que inclui vendas de etanol, DDGS, óleo de milho e Créditos de Descarbonização, os CBios, do etanol de milho) teve um salto de 94%, a R$ 265,8 milhões. Essa receita representou 14% da receita líquida total da São Martinho no trimestre, que alcançou R$ 1,8 bilhão, um aumento de 6,8%.

A operação de milho ainda contribuiu com Ebitda de R$ 95,5 milhões, ou 12% do Ebitda ajustado do período, de R$ 805 milhões. Um ano atrás, o negócio de milho registrou um Ebitda marginal, de apenas R$ 6 milhões.

A companhia teve no primeiro trimestre um bom desempenho nas vendas de etanol, aproveitando preços mais altos para comercializar volumes maiores. Porém, o lucro líquido caiu 40,2%, afetado principalmente pela depreciação de seus ativos biológicos, dada a queda do preço do açúcar. No primeiro trimestre deste ciclo, o lucro líquido ficou em R$ 62,8 milhões.

Já o lucro caixa cresceu 3,3 vezes, para R$ 157 milhões no trimestre, impulsionado pelo ambiente favorável no mercado de etanol, que compensou os preços em baixa do açúcar (Globo Rural, 11/8/25)


Lucro líquido da São Martinho caiu 40,2% no primeiro trimestre de 2025/26

Resultado da São Martinho foi afetado pela depreciação de seus ativos biológicos, que foi puxada pela queda dos preços do açúcar, mas que tem apenas efeito contábil — Foto: freepik

A receita líquida da companhia no trimestre aumentou 6,8% e alcançou R$ 1,8 bilhão.

A São Martinho registrou em seu primeiro trimestre da safra 2025/26 uma queda de 40,2% em seu lucro líquido, afetado principalmente pela depreciação de seus ativos biológicos, que foi puxada pela queda dos preços do açúcar, mas que tem apenas efeito contábil (sem efeito caixa). O resultado líquido ficou em R$ 62,8 milhões.

Por outro lado, o lucro caixa cresceu 3,3 vezes, para R$ 157 milhões no trimestre, quando o ambiente favorável no mercado de etanol, com demanda em alta e preços sustentados, garantiu melhores receitas e margens nessa operação.

Embora tenha iniciado a temporada com uma produção no negócio de cana-de-açúcar mais voltada para o açúcar do que para o etanol, a companhia registrou mais vendas do biocombustível no trimestre, aproveitando os estoques do produto fabricado na safra anterior e a nova produção da fábrica de etanol de milho na Usina Boa Vista, que está operando a pleno vapor.

A receita líquida da companhia no trimestre aumentou 6,8% e alcançou R$ 1,8 bilhão, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 4,4%, a R$ 805 milhões.

Somente no negócio de milho (que inclui etanol, DDGS, óleo de milho e Créditos de Descarbonização, os CBios, do etanol de milho), a receita teve um salto de 94%, para R$ 265,8 milhões. A operação de milho na usina goiana contribuiu com um Ebitda de R$ 95,5 milhões para o resultado da São Martinho trimestre, enquanto um ano atrás o negócio de milho havia registrado um Ebitda ainda marginal, de apenas R$ 6 milhões.

O melhor desempenho das vendas de etanol compensou o ambiente desfavorável do mercado de açúcar. No trimestre, a São Martinho vendeu 4,1% menos açúcar na comparação anual, e com preços 8,2% inferiores.

Até 30 de junho, o processamento de milho vinha mais próximo do esperado, com aumento de 10,6% no volume processado do grão, que alcançou 137,3 mil toneladas.

Já as operações de cana-de-açúcar até o fim do primeiro trimestre vinham mais fracos do que um ano atrás, puxados pela quebra da produtividade. A moagem da matéria-prima recuou 7,6%, para 8,2 milhões de toneladas.

Como resultado, entre as duas operações, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) total do trimestre ficou 10,9% abaixo do resultado de um ano antes, em 1,1 milhão de toneladas.

Ao longo do trimestre, a dívida líquida da São Martinho teve uma leve redução de 1,4%, para R$ 4,8 bilhões, fruto da liquidação e amortização de alguns instrumentos, como contratos de pré-pagamento para exportação, capital de giro e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

A queda no endividamento concomitante à melhora do Ebitda permitiu que a alavancagem recuasse 5,1% entre o fim de março e o fim de junho, para 1,36 vez (Globo Rural, 11/8/25)

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