Segundo Gilson Bittencourt, a linha de crédito foi mais utilizada por produtores adimplentes; até esta terça-feira (20), o montante renegociado totaliza R$ 3,3 bilhões, além de operações que aguardam liberação e somam R$ 12,3 bilhões
O BB (Banco do Brasil) projeta que o montante da renegociação de dívidas rurais com base na MP (Medida Provisória) 1376 some R$ 20 bilhões em operações, R$ 10 bilhões a menos do que a expectativa inicial.
Segundo o vice-presidente de Agronegócio do banco, Gilson Bittencourt, a procura de produtores inadimplentes pelo crédito foi menor do que o imaginado. O executivo destacou também que o recurso passou a ser mais acessado quando a linha foi ampliada para produtores adimplentes.
“O primeiro mês foi, basicamente, de execução da MP. A gente focou em buscar os produtores inadimplentes, e o retorno foi menor do que a gente imaginava nessa classe. À medida que a gente focou no segundo público, os produtores adimplentes que têm operações prorrogadas, houve uma demanda muito maior, como era esperado, e os números estão fluindo de forma bastante rápida”, afirmou.
Dados do Banco Central mostram que, até esta terça-feira (20), as operações de renegociação do BB totalizam R$ 3,3 bilhões. Somando todas as instituições financeiras, o valor chega a R$ 10 bilhões.
Segundo Bittencourt, o BB conta com mais R$ 6,5 bilhões em operações que já passaram pela primeira análise do banco e devem ser computados nos próximos dias.
Além disso, o banco conta com mais R$ 6,1 bilhões em créditos que aguardam o aval de agências, totalizando R$ 12,6 bilhões adicionais que devem somar ao montante do banco nas próximas semanas. Segundo o executivo, por dia, a instituição recebe entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões em pedidos de crédito.
A MP do endividamento rural prevê que 48% dos recursos equalizados sejam destinados ao BB, cerca de R$ 12,4 bilhões. O banco espera desembolsar mais R$ 7,6 bilhões em recursos próprios para acomodar as demandas.
De acordo com o executivo, as taxas controladas são um atrativo para o mercado; no entanto, alguns produtores que estão pagando as últimas parcelas optam por não entrar nessa faixa especial de renegociação.
Bittencourt revelou também que muitos produtores apresentam demandas incompatíveis com os parâmetros da MP, que abrange prejuízos relacionados a eventos climáticos extremos e outros fatores econômicos.
“Aquele produtor que, por exemplo, financiou soja e alega que perdeu na pecuária de corte, por mais que tenha uma dívida que se enquadre, o laudo não bate com a perda. Ou ele teve uma perda em 2020, contratou uma operação em 2025 e não conseguiu fazer a conexão. A norma diz que é preciso ter correlação entre a perda e a renegociação”, explicou.
A norma prevê que as medidas de renegociação terminem no dia 12 de novembro (CNN, 20/10/21)










