Confira as notícias do Agronegócio no Paraná

“Lula não pode usar o mercado de carbono como política arrecadatória”

Alerta é do presidente da Associação Brasileira de Bioinovação, Thiago Falda, propõe criação de fundo para gerir e destinar recursos para contribuir com descarbonização.

O governo Lula tem pressa para aprovar o projeto de regulação do mercado de carbono. Mas, a incerteza sobre o destino dos recursos que serão arrecadados gera preocupação entre deputados e provocou manifestação da Associação Brasileira de Bioinovação. O presidente executivo da ABBI, Thiago Falda, afirma que o mercado de carbono não pode virar uma política arrecadatória do governo federal. Em entrevista à Coluna do Estadão e ao Broadcast Político, ele propõe a criação de um fundo para gerir os recursos arrecadados com a regulação das emissões.

“O que a ABBI propõe é usar o recurso arrecadado para financiar o desenvolvimento de tecnologias e a implementação dessas tecnologias pelos setores regulados. Daí você gera um ciclo virtuoso. Eu estou arrecadando, desenvolvendo, implementando. Se não for assim, a gente corre um sério risco de perder competitividade”, destaca.

A ABBI apoia o projeto, mas quer ajustes no texto. “Da forma como está hoje no texto que veio do Senado, o dinheiro iria para a União. E aí se perde. O ideal é que esse recurso seja carimbado e direcionado exclusivamente para contribuir para a descarbonização”, conclui.

O governo Lula pediu ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que acelere a proposta para que seja aprovada antes da COP-28, que começa dia 30 de novembro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

No projeto, não fica claro que o foco realmente é a descarbonização?

Thiago Falda: O foco do projeto de lei é, sim, a descarbonização, mas não está claro, da forma como ele veio do Senado, qual é o destino das outorgas onerosas. Provavelmente, da forma como está hoje no texto que veio do Senado, iria para a União. E aí se perde. O ideal é que esse recurso seja carimbado, direcionado exclusivamente para contribuir para a descarbonização. Dessa forma, a gente não vai tirar a competitividade industrial e vai incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias para cumprir o objetivo do projeto.

Seria formado um fundo?

Falda: A nossa posição é essa. O que a ABBI propôs é realmente criar um fundo com essas outorgas, com esse recurso arrecadado para financiar o desenvolvimento de tecnologias e a implementação dessas tecnologias pelos setores regulados. Daí você gera um ciclo virtuoso. Eu estou arrecadando, desenvolvendo, implementando. Se não for assim, a gente corre um sério risco de perder competitividade.

Por quê?

Falda: Porque vai estar onerando os setores, você cria, na prática, uma taxa adicional. Aumenta o custo de produção e não tem uma contrapartida para investir na redução de emissões.

Esse tipo de política com fundos, por exemplo, é adotado na Europa?

Falda: Não sei se é exatamente um fundo, mas na Europa o recurso é revertido para os setores regulados. Eles pagam pela outorga e recebem o recurso depois e conseguem implementar suas ações de descarbonização.

As condições de competitividade são bem distintas também?

Falda: São bem distintas. A gente não está no mesmo nível de competitividade. A gente tem um custo de operação muito maior, o Custo Brasil como um todo. Essa política é uma grande oportunidade para o desenvolvimento tecnológico, porque vai forçar as empresas a modernizar o seu modo de produção e com o recurso que ela mesma pagou para ter as outorgas. Você tem só benefício nesse sentido.

Existe uma preocupação de que o governo transforme toda essa política de mercado de carbono em algo que sirva somente para engordar os cofres públicos, em vez de desenvolver?

Falda: Exato. Ela tem que cumprir com o caráter de descarbonizar e não de arrecadar. A arrecadação tem que ser revertida [para os setores regulados (Estadão, 26/11/23)

Compartilhar:
“Lula não pode usar o mercado de carbono como política arrecadatória”
Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Ao usar este site você concorda com nossos Política de Proteção de Dados.

Central de Atendimento

Contato: André Bacarin

    Acesse o mapa para ver nossa localização