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“Acordo UE-Mercosul nem entrou em vigor e já soa ultrapassado”

O jornalista alemão Alexander Busch publicou interessante artigo no blog da “Deutsche Welle” fazendo o alerta que “se europeus pensarem muito, acordo com o Mercosul pode fracassar por ter se tornado irrelevante. Temo que esse acordo jamais vá entrar em prática” e lista quatro argumentos:

“O primeiro é a assinatura pela Argentina, em 5 de fevereiro, do Acordo sobre Comércio e Investimento Recíprocos (ARTI) em Washington. Ele abrange tarifas, acesso a mercados, regras de investimento e disposições regulatórias, todos elementos que também desempenham um papel importante no acordo UE-Mercosul.

Em resumo, trata-se de um acordo que copia o acertado com a UE em muitos pontos – só que não levou 25 anos para ser concluído, mas algumas semanas. É de se supor que também entre mais rapidamente em vigor.

Quando isso ocorrer, muitas das vantagens que a UE negociou para si mesma com todo o Mercosul desaparecem automaticamente no caso da Argentina. Empresas dos Estados Unidos terão acesso privilegiado para investimentos e produtos. Padrões americanos serão aplicados. O acesso a terras raras e minerais críticos é garantido. Todas essas são áreas em que a UE esperava obter acesso preferencial por meio do acordo.

Em segundo lugar, é possível que o acordo bilateral entre a Argentina e os Estados Unidos imploda todo o Mercosul. Afinal, segundo os seus estatutos, a comunidade econômica sul-americana, na condição de união aduaneira, deve negociar em conjunto com novos países parceiros. Além disso, as tarifas externas devem ser definidas por consenso.

Para o ex-secretário de Comércio Exterior Lucas Ferraz, os recentes acontecimentos colocam em risco a existência do Mercosul. “O Mercosul está na UTI”, declarou ao jornal Valor Econômico.

O terceiro aspecto é que Bruxelas deposita suas esperanças nos parlamentos sul-americanos. A Comissão Europeia pretende aplicar provisoriamente a seção comercial do acordo assim que o primeiro país do Mercosul concluir o processo de ratificação. Isso de fato pode acontecer em breve. A Câmara dos Deputados da Argentina foi a primeira legislatura do Mercosul a aprovar o acordo. Agora, só falta o Senado fazê-lo.

Por fim, enquanto os parlamentares europeus paralisam o acordo ao enviá-lo para ser revisado pela Justiça, os governos sul-americanos estão agindo. O Brasil, por exemplo, está avaliando se um acordo bilateral com os EUA poderia oferecer mais vantagens do que um acordo com o Mercosul. Lula deve ir para Washington numa visita de Estado onde se encontrará com Donald Trump no início de março.

E Milei planeja uma viagem à China este ano. O que ele trará na mala de Pequim?” (Da Redação, 2/3/26)

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