As negociações entre Raízen e seus credores têm sido intensas nesta semana, já que a expectativa da companhia é levar, no início de junho, um plano fechado com adesão de mais de 50% deles, pronto para ser homologado pela Justiça.
A Raízen tem pressa e precisa de liquidez. Os credores externos, por sua vez, tentam amarrar um empréstimo sênior e com garantias para a empresa. As reuniões vêm ocorrendo desde a segunda-feira e terminam amanhã (07). O tom tem sido construtivo, de acordo com fontes.
A Broadcast apurou que há duas correntes de investidores estrangeiros se movimentando neste momento. O grupo organizado de bondholders defende um empréstimo da ordem de R$ 2,5 bilhões ao prazo de três anos. Paralelamente, fundos do exterior estudam, junto a alguns bondholders do grupo organizado, uma proposta de liquidez para a Raízen, por meio de uma nova emissão de bonds.
Há alguns bondholders, entretanto, que se preocupam com a ausência de simetria que uma estrutura como essa causaria, deixando aqueles que não se comprometerem com o empréstimo em pior condição de recuperação de seus créditos, afirmou uma fonte no exterior e próxima a esses investidores.
A companhia e suas controladoras, por sua vez, evitam falar sobre o tema. Fontes próximas à companhia chegam a dizer que não há dinheiro novo na mesa e que as discussões seguem ocorrendo, mas sem nada definido por enquanto.
Fato é que vários interlocutores consultados pela Broadcast afirmam que a entrada de recursos adicionais à injeção de capital de R$ 4 bilhões prometida por Shell e por Rubens Ometto, principal executivo do Grupo Cosan, tem sido discutida. Esse montante ventilado poderia chegar a R$ 5 bilhões.
O analista de uma casa de investimento britânica diz que, com a conversão de cerca de 45% de dívida em ações proposta, a companhia não necessariamente precisa de uma entrada de recursos superior aos R$ 4 bilhões prometidos pelos controladores. A questão, segundo ele, é que os credores têm desejado uma conversão menor.
Outro tema que está sendo discutido é o prazo de alongamento das dívidas que não forem convertidas em ações. A companhia inicialmente havia sugerido 10 anos para os compromissos da distribuidora e 13 anos para o negócio das usinas. Os credores pediram um prazo menor, de cinco anos.
Está na mesa também o que se fará com os recursos que podem chegar a US$ 1,5 bilhão da venda das operações na Argentina, envolvendo cerca de 900 postos com a marca Shell e a refinaria Dock.
Procuradas, Raízen, Cosan e Shell preferiram não comentar (Estadão, 7/5/26)









