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Raízen:Credores e acionistas pertos de consenso sobre conversão de dívidas

  • Partes estão chegando a acordo para converter de 45% a 50% da dívida em ações
  • Governança da empresa está no foco das conversas, dizem fontes ouvidas pela Reuters

As negociações entre credores e acionistas da Raízen para evitar uma recuperação judicial avançaram, com conversas focadas na estrutura de governança da empresa, juntamente com outras questões importantes, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto à agência de notícias Reuters.

As negociações para manter a reestruturação da companhia fora dos tribunais começaram oficialmente em abril e devem ser concluídas até meados de junho.

Os credores e acionistas da empresa —uma das maiores distribuidoras de combustíveis no Brasil— estão chegando a um acordo para converter de 45% a 50% da dívida da empresa em ações, uma medida que diluirá significativamente as participações da joint venture entre Shell e Cosan, e potencialmente reformulará a composição do conselho da empresa, disseram duas das pessoas.

Em março, a Raízen anunciou que havia chegado a um acordo extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, com um prazo de 90 dias para garantir apoio suficiente para a aprovação final, após o qual os novos termos de pagamento se aplicariam a 100% dos créditos cobertos.

A Raízen e a Shell não quiseram comentar as negociações de conversão da dívida.

A Shell reiterou sua proposta de injetar R$ 3,5 bilhões para socorrer a Raízen, acrescentando que continuará a trabalhar em estreita colaboração com a liderança e os credores da fabricante de açúcar para garantir o futuro de longo prazo do negócio.

É provável que os credores não consigam pressionar a Shell a contribuir com mais do que os R$ 3,5 bilhões já postos na mesa, disse uma das pessoas, citando o impacto do imposto de exportação de 12% sobre o petróleo que o governo brasileiro implementou para aliviar os impactos do conflito no Oriente Médio.

Duas das fontes, que pediram para não ter seus nomes revelados porque as negociações são privadas, disseram que acreditam que um acordo será alcançado antes do prazo final, mas reconheceram que algumas questões ainda não foram resolvidas.

Uma questão pendente diz respeito ao futuro do atual presidente do conselho de administração da Raízen, Rubens Ometto, que está injetando R$ 500 milhões para apoiar a reestruturação, muito menos do que a Shell.

A Cosan, que acaba de levantar capital novo por meio de um IPO (oferta pública inicial) de R$ 3,2 bilhões da subsidiária de gás Compass, está lidando com seus próprios problemas de dívida e não usará os recursos do IPO para resgatar a Raízen, disse uma das fontes.

Cosan e Ometto não quiseram comentar.

A Raízen também está em negociações para vender uma refinaria e centenas de postos de gasolina na Argentina para o Mercuria Energy Group, negociante de energia e commodities fundado na Suíça, em um negócio que pode render entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, disse uma das fontes.

A transação provavelmente será anunciada somente quando as discussões da reestruturação financeira forem finalizadas, reduzindo o risco do comprador, afirmou a pessoa.

Os credores e acionistas também estão discutindo se os recursos da transação na Argentina serão usados para reduzir a dívida ou para reforçar a posição de caixa da Raízen, disse uma segunda pessoa.

A Mercuria não respondeu aos pedidos de comentários.

Uma das fontes acrescentou que vários fatores ajudaram a levar as negociações adiante, incluindo o interesse internacional na distribuição de combustíveis no Brasil, a repressão policial ao crime organizado nos postos de combustíveis e o fato de que as dificuldades da Raízen decorriam de problemas relacionados ao clima, agravados pelas altas taxas de juros. (Reuters, 11/5/26)

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