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Bioinsumos: Impacto da guerra e alta no preço de fertilizantes no mercado

Em palestra no São Paulo Innovation Week (SPIW), representantes do setor destacam que é preciso aumentar o conhecimento no campo para incentivar o uso dos produtos.

A guerra no Oriente Médio e seu impacto no preço do gás natural – usado para fabricar fertilizantes – deve alavancar o segmento de bioinsumos, produtos feitos a partir de organismos vivos e usados na agricultura para controlar pragas ou aumentar a fertilidade do solo. “Conflitos aceleram, sim, a adoção de bioinsumos”, diz Sheilla Albuquerque, CEO da fabricante de bioinsumos Vitalforce.

Sheilla foi uma das palestrantes do painel Bioinsumos: o Brasil que lidera em silêncio, promovido nesta sexta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week (SPIW), festival global de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.

De acordo com a executiva, o uso dos bioinsumos cresceu quando a guerra na Ucrânia começou, em 2022. Diferentemente do que ocorre agora, porém, naquela época o preço dos produtos vendidos pelos agricultores também subiu.

“Agora, aqui no Brasil, neste momento, a guerra é assimétrica. Ela não aumentou os preços de venda, só os custos dos produtores. A margem está muito apertada. Então precisamos levar conhecimento para que o produtor entenda que novas tecnologias vêm para elevar a produtividade ou reduzir os custos”, destaca.

Para Sheilla, a principal barreira para a adoção dos bioinsumos em larga escala é o desconhecimento. Os agrônomos no Brasil, diz ela, têm suas formações baseadas na lógica do setor químico. “O produtor quer aplicar o inseticida e ver a praga cair na hora. É uma lógica de produto químico. O bioinsumo não funciona assim.”

Sheilla Albuquerque, CEO da fabricante de bioinsumos Vitalforce, durante painel no SPIW. Foto Felipe Iruatã/Estadão

Ela reconhece que os bioinsumos não substituem os fertilizantes químicos completamente, mas defende uma mudança na lógica do uso dos insumos. “Hoje o agricultor usa tudo que é químico primeiro, e o biológico apenas quando tem algo que não está funcionado Acho que tem que ser ao contrário.”

No mesmo painel, o CEO da desenvolvedora de biodefensivos Simbiose, Marcelo de Godoy, também destacou que a alta dos fertilizantes abre oportunidades de o Brasil criar mais ferramentas para que o produtor rural diminua sua dependência por insumos químicos. “Esse é um momento em que o produtor vai olhar para o bioinsumo como uma ferramenta possível para ajudá-lo a fazer o cultivo, absorver melhor os nutrientes que estão no solo.”

Para ele, o produtor é pragmático e passa a adotar o bioinsumo quando percebe as vantagens econômicas. “Se faz sentido econômico, ele usa.”

Diretor da Agrivalle, João Oliveira acrescentou que as matérias-primas para a produção de fertilizantes químicos são finitas – daí a necessidade de adoção do bioinsumo. “É possível usar compostos recicláveis para manter a produtividade.” (Estadão, 16/5/26)

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