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Boom do etanol aponta para novo desenho nos embarques do milho,vê Rabobank

Por Pasquale Augusto

O avanço das plantas de etanol de milho no Brasil está limitando as exportações do grão, na avaliação da analista de grãos do Rabobank, Marcela Marini.

Segundo ela, o movimento é explicado pela elevada capacidade estática de armazenagem das usinas, pela antecipação na comercialização e, principalmente, pelas vantagens logísticas.

“Essas plantas de etanol estão muito próximas da produção de milho, o que reduz significativamente a exposição ao frete. Uma exportadora no Mato Grosso, por exemplo, precisa transportar esse milho por cerca de 2.000 quilômetros até o porto”, afirmou ao Money Times.

Com isso, as usinas conseguem oferecer preços mais competitivos ao produtor rural, ganhando espaço na disputa pelo grão.

Ano                      Exportação de milho (Anec/Comex Stat)

2015                    27 milhões de toneladas

2016                    21,86 milhões de toneladas

2017                    29,25 milhões de toneladas

2018                    23,54 milhões de toneladas

2019                    43,5 milhões de toneladas

2020                    34,67 milhões de toneladas

2021                    20,55 milhões de toneladas

2022                    42,5 milhões de toneladas

2023                    55,9 milhões de toneladas

2024                    39,8 milhões de toneladas

2025 (estimativa)                           40,9 milhões de toneladas

Além disso, Marini destaca que a expansão do etanol de milho torna o mercado mais resiliente quando comparado à soja, que é mais sensível a fatores geopolíticos.

“As exportações atingiram um recorde significativo em 2023 e desde então vimos uma redução significativa desse volume. No mercado de exportação, trabalhamos com janelas oportunas. Fica muito difícil competir com EUA e Argentina nesse mercado. Se adicionarmos toda essa mudança na dinâmica do mercado brasileiro, isso tende a limitar cada vez mais os embarques do Brasil”.

Os ganhos do milho nos últimos anos

Em termos de receita, o milho já responde por cerca de 48% da renda do produtor rural, enquanto a soja representa 52%.

“Em 2013, falávamos de um milho a R$ 12 por saca. Hoje, o contrato março/2026 na B3 gira em torno de R$ 70,95. O milho era praticamente marginalizado pelo produtor. Agora, com a expansão do mercado interno, tornou-se uma commodity cada vez mais relevante na composição da receita”, avalia Marini.

Oferta, demanda e volatilidade

A analista vê um momento de elevada volatilidade nos preços, dado a espera pela:

  • A definição da área plantada nos Estados Unidos a partir de março;
  • O avanço do plantio norte-americano em abril
  • As condições climáticas na Argentina;
  • A safra de verão do Brasil.

Diante desse cenário, Marini recomenda que o produtor avance na comercialização e utilize ferramentas de proteção para evitar exposição excessiva a movimentos adversos de preços (Money Times, 19/2/26)

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