Por Rodrigo Simões
Em ano eleitoral, propostas reaparecem embaladas como soluções fáceis para problemas complexos. A discussão sobre a mudança da escala 6×1 entra nesse cenário com força política — mas com efeitos econômicos que exigem seriedade, responsabilidade e respeito à realidade de quem produz, emprega e sustenta o país.
A conta não fecha
A proposta de alteração da escala 6×1 pode elevar o custo do trabalho em até 22%. Em um país que ainda luta para crescer, a medida soa mais como apelo político do que como política pública responsável. Não se governa na base do improviso — muito menos quando a fatura cai no colo de quem gera empregos.
Populismo em ano eleitoral
Não é novidade: em momentos políticos sensíveis, o presidente Lula volta a apostar em medidas de forte apelo popular, sem medir consequências. A história mostra que decisões tomadas sem base técnica costumam gerar efeitos colaterais graves — especialmente na economia real.
Micro, pequenas e médias: a espinha dorsal do Brasil
As Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPEs) são responsáveis por dinamizar a economia, gerar renda local e sustentar milhões de famílias. São elas que mais empregam, mais contribuem e, paradoxalmente, as que menos têm margem para absorver choques abruptos de custo.
O alerta de quem entende do assunto
Nesta semana, conversei com dois renomados contabilistas do Estado de São Paulo — Demétrio Luiz Pedro Bom Júnior e Moisés Andrade, profissionais reconhecidos pela competência e atuação em todo o território paulista. Ambos foram categóricos: o impacto da mudança seria decisivo e devastador para as MPEs, justamente as que mais pagam tributos, têm menos reservas e ainda assim geram cerca de 1 milhão de empregos por ano.
Empregos em risco
Os números assustam. Caso a proposta avance e se transforme em lei, a estimativa é de eliminação de até 1,2 milhão de vagas já no primeiro ano. Não se trata de especulação ideológica, mas de projeção técnica baseada na realidade do mercado de trabalho brasileiro.
Hora de união e responsabilidade
Este é o momento de união das entidades representativas, dos técnicos, dos empresários e das pessoas de boa-fé que desejam o desenvolvimento do Brasil. O debate precisa ocorrer com quem decide em Brasília — em alto nível, com dados, responsabilidade e compromisso com a verdade.
Governar é mais que agradar
Mais uma vez, preocupa a forma como o governo Lula conduz temas centrais para o país: com viés político, discurso fácil e pouca atenção às consequências práticas. O Brasil precisa de decisões maduras, não de atalhos eleitorais. Governar exige responsabilidade — e não populismo.
Rodrigo Simões
Jornalista • Administrador de Empresas, Pós-graduado em Gerente de Cidades – FAAP; 2× Vereador por Ribeirão Preto • Presidente da Câmara (2017); Ex-Presidente da FUNTEC; Colunista – Brasil Agro; Apresentador do Podcast Clube do Povo; 16/2/26)









