Confira as notícias do Agronegócio no Paraná

Endividamento recorde e juro elevado preocupam setores da economia

Executivos relatam ao CNN Money efeitos de política monetária restritiva e inadimplência sobre resultados de companhias

O endividamento das famílias brasileiras atingiu o patamar recorde de 82% no mês de julho, segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Apesar do corte na taxa Selic para 14% na última quarta-feira (5), o Brasil ainda possui o segundo maior juro real do planeta.

O patamar restritivo do custo de crédito e o acúmulo de dívidas pressionam o bolso da população e executivos de companhias do país já começam a dimensionar os efeitos das condições macroeconômicas em seus negócios.

Varejo vê consumidor mais “seletivo”

O CEO da C&A, Paulo Correa, disse em entrevista ao CNN Money que a situação leva os consumidores da marca a avaliar cuidadosamente os gastos.

“Em um cenário macroeconômico mais desafiador, com juros altos, isso acaba pressionando o endividamento das famílias e a decisão de compra começa a ficar mais racional ainda. O vestuário está virando quase um investimento no dia a dia”, afirma.

“Tudo que tem a ver com uso de caixa, de alguma maneira, faz com que a taxa de juros atual fique pesada em qualquer decisão. Isso passa a ser muito importante no dia a dia, a gente acaba tendo menos flexibilidade de fazer alguns movimentos mais robustos de longo prazo”, completa.

Endividamento impacta construção

O setor do varejo não é o único impactado pela Selic em um patamar elevado. O CFO da construtora Tenda, Luiz Maurício Garcia, também comentou sobre o assunto em participação no CNN Money. 

Ele pondera que, apesar das taxas mais baixas do Minha Casa Minha Vida, a inadimplência da população pode adiar o sonho da casa própria de muitos.

“O juro em patamar restritivo traz uma série de impactos. Um deles tem sido o endividamento das famílias em nível recorde. Isso preocupa porque quanto mais famílias tiverem dificuldade financeira, essa família não vai poder adquirir um imóvel porque ela já comprometeu a renda dela com outros financiamentos”, analisa Garcia.

O executivo ressalta que a Selic elevada traz impactos “severos” não só para empresas, mas para a população que toma empréstimos e contrai dívidas. Garcia confirma uma inadimplência de 15% a 20% dos clientes com a Tenda e menciona que o PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) também aumentou no 2° trimestre de 2026.

O CFO explica que a companhia busca reduzir a concessão de crédito sem gerar perda de margens e rentabilidade.

Setor financeiro também quer juro menor

O Bradesco é mais uma companhia a relatar efeitos da taxa de juros restritiva ao CNN Money. O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, relata que uma trajetória crescente da Selic pressiona margens das linhas de crédito oferecidas pelos bancos.

“A taxa mais previsível e menor é melhor para os bancos, para casamento de ativos e passivos. Para a inadimplência, ela (taxa de juros alta) joga a favor da inadimplência. Todos nós somos vocais de falar que taxas menores são nosso desejo”, diz (CNN, 9/8/26)

Compartilhar:
Endividamento recorde e juro elevado preocupam setores da economia
Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Ao usar este site você concorda com nossos Política de Proteção de Dados.

Central de Atendimento

Contato: André Bacarin

    Acesse o mapa para ver nossa localização