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Crédito, El Niño e geopolítica desafiam mercado de insumos agrícolas

Preços menores dos grãos, juros mais altos e menos dinheiro disponível afetam o setor.

Crédito restrito, El Niño e o cenário geopolítico estão entre as principais preocupações das empresas que participam do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), evento que teve início nesta terça-feira (11/8) e segue até quinta-feira (13/8) no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Diretor conselheiro da Andav e líder do GT de pesquisa, Alberto Yoshida avalia que, após os investimentos feitos entre 2020 e 2022, quando as commodities estavam em patamares elevados, “a conta chegou”. No cenário atual, os preços dos grãos perderam força, os juros estão mais altos e há menos dinheiro disponível para financiamento – com impacto também para os distribuidores de insumos.

“Se os produtores rurais passam por uma dificuldade muito grande, a distribuição está muito próxima. Esse aperto que nós temos é uma consequência inclusive do próprio mercado”, observou. Por outro lado, os custos operacionais das distribuidoras também aumentaram, com destaque para combustível e energia elétrica.

A principal recomendação para o momento é trabalhar a gestão empresarial, incluindo controle de despesas, análise de balanço, gestão do fluxo de caixa e profissionalização da análise de crédito. Segundo Yoshida, o cadastro dos clientes ganhou importância e a chamada “esteira de crédito” passou a ser uma ferramenta cada vez mais relevante para os distribuidores.

Na Fortgreen, a resposta tem sido reforçar a gestão de risco e ampliar as ferramentas de financiamento. Segundo o head de crédito, Henrique Ramires, a equipe de crédito passou a atuar mais próxima da área comercial e dos clientes, inclusive em campo, considerando não apenas balanços e declarações financeiras, mas também informações sobre a lavoura, como região, cultura, preços e dados obtidos por imagens de satélite.

A empresa também está ampliando o uso de operações de barter e de Cédulas de Produto Rural (CPRs) como instrumentos para reduzir riscos e sustentar as vendas. “O barter serve para dois cenários: primeiro, alavancar venda; segundo: mitigar risco”, resume.

Esse ambiente de maior cautela também tem alterado o ritmo de comercialização de insumos, segundo a multinacional Basf. Gustavo Bastos, gerente sênior de acesso ao mercado da empresa, afirma que os produtores estão mais criteriosos e fracionando as aquisições, deixando parte das decisões para mais perto da aplicação. “O mercado vai acontecer, mas de uma forma um pouco mais fracionada”, afirma.

O clima é outro fator de cautela para a próxima safra. Segundo Bastos, a intensidade do El Niño pode afetar de forma diferente as regiões produtoras, com possibilidade de atraso no plantio no Cerrado e maior pressão de fungos e doenças no Sul. A estratégia da empresa, nesse cenário, é manter proximidade com os agricultores para ajudá-los a ajustar o manejo conforme as condições climáticas.

O cenário geopolítico também aumenta a preocupação com a disponibilidade de matérias-primas para a indústria. Segundo Thiago Haydn, gerente comercial da Schem Group, os impactos sobre o Estreito de Hormuz já se refletem no mercado de enxofre, cuja disponibilidade é relevante para a produção de ácido sulfúrico e, consequentemente, de diversos fertilizantes e produtos químicos. Para ele, o risco vai além da alta dos preços. “Pior que pagar caro é você não ter produto quando o produtor precisar”, ressalta (Globo Rural, 12/8/26)

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