Confira as notícias do Agronegócio no Paraná

Falta de regulação e de estímulos barra avanço da indústria verde no Brasil

Potencial do País para liderar setor e oportunidades de negócio para energias renováveis foram discutidos nesta sexta-feira em painel na Rio Innovation Week.

Apesar do potencial natural e da forte matriz energética renovável, o Brasil tem obstáculos no caminho para se tornar uma referência internacional na indústria verde. Entre eles, está a falta de regulamentação e de estímulos. As alternativas para romper essas barreiras estiveram no centro de um debate sobre o tema nesta sexta-feira, 16, na Rio Innovation Week, evento de tecnologia e inovação realizado no Pier Mauá, no Rio de Janeiro (RJ).

Presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum destacou a importância de o setor industrial se unir para conseguir sensibilizar os governantes para avançar de forma consistente. “Precisamos falar de indústria de energia e não de setores separadamente, pois o grande desafio nesta transição energética é alocar da melhor forma possível os recursos, que são escassos”, ponderou.

Elbia pontuou que a regulação das diferentes cadeias, como eólica, hidrogênio verde e mercado de carbono, é fundamental para garantir segurança jurídica e atrair investidores. “O Brasil tem recursos naturais abundantes, mas isso não significa que estamos prontos. Para atrair investimentos e essas novas tecnologias, é preciso criar um ambiente legal e regulatório e trabalhar em mecanismos de incentivo. Outra questão são financiamentos, para permitir que a produção dessas energias seja competitiva”, disse.

Segundo ela, outros países têm avançado de forma consistente em políticas para a indústria verde. “A Europa criou acordos e tem um aparato político muito forte, inclusive associado a subsídios. A China e os Estados Unidos, que são grandes potências, também têm atuado nesta direção. E isso é um desafio para nós, pois o Brasil não dispõe de recursos do Tesouro Nacional para fazer esse tipo de subsídio. Mas é necessário agir para criar um ambiente saudável de investimento”, ressaltou.

Secretário de economia verde, descarbonização e bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Rodrigo Rollemberg destacou durante o painel que o momento é “propício” para o debate sobre energias renováveis. Ele ainda enfatizou que o Brasil tem potencial para liderar o setor globalmente. “Somos o país ideal para receber indústrias do mundo todo que precisam descarbonizar seus processos produtivos de maneira acelerada, segura e barata”, salientou.

Ao tratar sobre incentivos fiscais ao setor, o secretário citou a recente sanção da lei que regula a produção de hidrogênio verde como um exemplo da importância do fomento à indústria verde. “Havia uma resistência natural do governo em conceder incentivos em função da situação fiscal, mas a associação apresentou um estudo mostrando que, quando esses incentivos entrarem em vigor a partir de 2028, o conjunto de benefícios que a economia já terá recebido é muito maior do que os R$ 18 bilhões desembolsados”, explicou.

Rollemberg ainda enfatizou que o hidrogênio verde tende a ter um papel cada vez mais relevante para o País. “É importante para desenvolver parques de geração elétrica renovável e contribuir com a descarbonização de setores intensivos de energia e de difícil abatimento. Ali na frente vão precisar de hidrogênio para produzir aço, fertilizante, cimento e outros produtos. Vislumbro oportunidades históricas para o Brasil”, frisou.

Pressão no Congresso

Ao detalhar o cenário atual do setor de energia eólica offshore (gerada através da força do vento em alto-mar), Elbia, da ABEEólica, disse que já há muitos pedidos de licenciamento junto ao Ibama, o que é um sinal de interesse dos investidores e do potencial do segmento. “Os estudos mostram que a eólica offshore gera 17 postos de trabalho para cada megawatt (MW) instalado. Então, o efeito multiplicador na economia desses investimentos é grande, e o Brasil precisa aproveitar essa oportunidade”, salientou.

Por isso, segundo ela, o setor tem trabalhado para sensibilizar o governo federal e o Congresso sobre a relevância da aprovação de projetos da agenda verde. Um deles trata especificamente das eólicas offshore e, de acordo com Elbia, a expectativa é de que o relatório da proposta seja apreciado pelo Senado nas próximas semanas.

“A partir disso, o Brasil vai poder preparar a sua regulação para realizar o primeiro leilão de cessão de uso do mar. Isso é importante porque não estamos falando de resultados de curto prazo, mas de uma decisão hoje para que investimentos ocorram daqui oito a dez anos. Avançar nisso significa ter um parque eólico rodando a partir de 2031 ou 2032″, afirmou a presidente executiva da ABEEólica.

Oportunidades para o País

Também participante do painel, Fernanda Delgado, CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), reiterou que o fortalecimento do setor de energias renováveis passa pelo reconhecimento das necessidades e oportunidades que o País tem, em especial diante das mudanças climáticas. “Há muitos projetos para serem aprovados dessa agenda verde, e a sociedade tem de ser trazida para o debate, pois ela faz pressão para os governos pautarem propostas relevantes”, pontuou.

Rollemberg endossou a importância do avanço das propostas no Congresso. Segundo ele, é crucial assegurar segurança jurídica às empresas, que terão de fazer grandes investimentos em longo prazo. “Estamos em um momento que o tempo vale muito. Então, essa mobilização das entidades representativas e das empresas do setor é importante para mostrar aos parlamentares a importância que isso tem para a indústria brasileira”, frisou.

O secretário ainda disse que a aprovação da agenda verde terá um impacto ainda maior porque os projetos são complementares. “Um exemplo é o mercado de carbono. Ao trocar o combustível fóssil por hidrogênio, isso vai gerar um crédito de carbono que pode abater o custo da atividade produtiva. Então, precisamos fazer uma ação coordenada junto ao Congresso para aprovar o mais rápido possível toda essa agenda. Se isso ocorrer, o Brasil tem tudo para assumir a liderança mundial em economia verde”, projetou (Estadão, 17/8/24)

Compartilhar:
Falta de regulação e de estímulos barra avanço da indústria verde no Brasil
Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Ao usar este site você concorda com nossos Política de Proteção de Dados.

Central de Atendimento

Contato: André Bacarin

    Acesse o mapa para ver nossa localização