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Medidas de subvenção a combustíveis vão piorar cenário de gastos este ano

Para Sérgio Vale, da MB Associados, o correto seria repassar os preços via Petrobras e deixar o BC ‘fazer o trabalho’, ou seja, ajustar os juros, mas alternativa esbarra na preocupação eleitoral

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, não compra a tese de que a subvenção aos combustíveis será neutra do ponto de vista fiscal, conforme avaliações feitas por autoridades governamentais. De acordo com ele, a subvenção terá impacto, sim, e vai levar a uma piora do cenário de déficit neste ano.

Por conta disso, na avaliação de Vale, o governo terá de fazer ajustes em outras contas para chegar à meta de primário no final do ano. “Isso passa por comprimir mais o gasto discricionário até o final de 2026”, disse o economista ao Estadão/Broadcast.

Para Vale, a alternativa mais correta, de certa forma, seria repassar temporariamente os preços via Petrobras e deixar o Banco Central “fazer o trabalho”, ou seja, fazer um ajuste de juros, eventualmente, com a inflação que aparecer. Mas, continua o economista da MB, “num ano eleitoral como o de agora, a gente sabe que usar recursos da subvenção é o mais provável de acontecer”.

“O governo tem medo de ter uma greve de caminhoneiros, olhando pela frente e, obviamente, a gente também não sabe o tamanho e a duração dessa guerra. Está pintando que vai ser uma guerra relativamente longa. As duas partes, os dois lados, não estão dando nenhum sinal de querer, de fato, que a guerra acabe o quanto antes. E aí a sinalização do preço de petróleo vai ficar elevada durante muito tempo. A questão toda que se coloca é se essa subvenção que o governo está colocando é suficiente”, questionou.

Segundo o economista, a defasagem no preço do diesel no Brasil neste momento, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) é da ordem de R$ 2 por litro.

“O governo está falando de uma subvenção que, no final, está ficando cerca de metade do que é a defasagem. É suficiente? Essa é a questão. Talvez não seja, pela duração da guerra. E, eventualmente, o governo terá que usar mais recursos fiscais para aumentar a subvenção ou a Petrobras vai ter que acabar repassando esses recursos. Uma alternativa que o governo tem, que precisa ser negociada o quanto antes, dado que está chegando o processo eleitoral, é, eventualmente, usar crédito extraordinário, alegando necessidade desses recursos para uma emergência, retirar esses recursos da meta do primário e, eventualmente, aumentar a subvenção”, disse.

Segundo Vale, “vai pegar muito mal” para o mercado se, de fato, o governo for por esse lado. “Talvez seja inescapável. Quanto mais dura a guerra, mais difíceis são as soluções que o governo tem. E acho que, inevitavelmente, vai acabar sendo um misto disso. A Petrobras tem que repassar parte desses aumentos”, previu, alegando que a petrolífera não tem como encobrir toda essa defasagem de preço.

“Por enquanto, a gente está falando de três, quatro bilhões (em subvenção). Para um déficit bem maior do que isso para este ano, é manejável, digamos assim. Mas vai atrasando, vai demorando a guerra, e esses recursos vão ficando maiores, sendo o cenário, de fato, cada vez mais difícil. Muito provavelmente, você vai ter que prorrogar isso entrando no segundo semestre”, analisou (Estadão, 7/4/26)

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