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Trump impõe tarifas sobre produtos brasileiros; o que se sabe até agora

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O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (2/4) que os Estados Unidos irão introduzir “tarifas recíprocas” aos países que fazem comércio com os americanos – o Brasil será taxado em 10%.

“Isso quer dizer que, o que fazem conosco, faremos como eles”, disse Trump.

As tarifas passam a valer a partir de sábado (5/4).

No anúncio, Trump disse que os percentuais cobrados do Brasil seriam próximos aos que o país cobraria de produtos importados

Em nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o governo brasileiro disse que “lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano”, que se mantém aberto ao diálogo, mas que avalia “todas as possibilidades de ação”, inclusive recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC).

“Todos os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 10%, exceto nos casos em que já se aplicam tarifas específicas mais altas, como no caso do aço e do alumínio, tarifados em 25%”, disse a economista.

Para o diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, Christopher Garman, o Brasil acabou ficando entre os países menos impactados pelas tarifas anunciadas por Trump.

“Nós esperávamos um impacto entre 10% e 25%. Ao final, o Brasil saiu menos impactado que outros países, como os da Ásia”, disse Garman à BBC News Brasil.

Ele afirmou que os setores que mais devem ser impactados pelas tarifas norte-americanas são o petrolífero, o de produtos semi-manifaturados, celulose e de partes de avião.

Essa também é a análise de Iana Ferrão. Segundo ela, entre os setores mais afetados estão o de semi-manufaturados de ferro e aço, aeronaves, materiais de construção, etanol, madeira e seus derivados e petróleo. A economista disse que setores como o de commodities agrícolas e mineração não deverão sofrer grandes impactos por não dependerem tanto do mercado norte-americano.

Segundo documento divulgado pela Casa Branca logo após o anúncio, as tarifas divulgadas hoje não deverão se sobrepor àquelas que já foram impostas sobre outros produtos anteriormente como à do aço e a do alumínio, taxados em 25% em março e que também afetaram produtos brasileiros.

Enquanto o Brasil foi taxado, em média, em 10%, países asiáticos sofreram taxações muito maiores.

Mas, para alguns países, como Japão e Vietnã, Trump anunciou que irá cobrar “aproximadamente metade” do que eles cobram dos EUA.

“As tarifas não serão totalmente recíprocas. Eu poderia ter feito isso, sim, mas teria sido difícil para muitos países”, disse Trump.

O presidente também confirmou o início da cobrança de uma tarifa de 25% sobre todos os carros estrangeiros a partir de 0h desta quinta-feira (3/4), uma taxa que deve afetar principalmente o México.

Legenda da foto. Esse quadro foi exibido por Trump. Na coluna da esquerda, a tarifa que os países cobram dos EUA; na coluna da direita, o quanto os EUA passarão a cobrar. Foto Reprodução BBC News Brasil

‘Dia da libertação nacional’

Trump repetiu que esta quarta é “Dia da Libertação da América” e afirmou que as tarifas visam corrigir o que considera um comércio “injusto” com outros países — um argumento apoiado por algumas indústrias dos EUA.

Estavam na Casa Branca durante o anúncio trabalhadores da indústria siderúrgica e automotiva.

O presidente disse no anúncio que nações “ficaram ricas às custas” dos EUA, por cobrarem mais taxas do que os americanos cobram deles

“Por décadas, nosso país tem sido roubado e explorado por outros países, próximos e distantes, amigos e inimigos”, declarou Trump, elencando efeitos nas indústrias de carro e siderúrgica.

“Roubaram nossos empregos”, disse Trump, prometendo que as vagas de trabalho voltaram ao país.

Segundo ele, outros líderes protegem suas economias impondo tarifas elevadas sobre importações dos EUA, e agora os EUA farão o mesmo.

“Precisamos começar a cuidar do nosso país agora”, declarou.

Enquanto defendeu sua visão de uma economia americana revitalizada por meio das tarifas, Trump descreveu um cenário em que fábricas “vazias e mortas” e “prédios caindo aos pedaços” serão substituídos por novas instalações industriais nos EUA.

No discurso, Trump destacou a importância de imigrantes legais para ocupar os empregos que espera criar com suas novas políticas industriais.

Trump argumentou que os EUA precisam de mais trabalhadores para operar as fábricas e apoiar os sindicatos e trabalhadores da indústria automotiva. No entanto, ressaltou que quer imigrantes que “amem o país”, não aqueles que, segundo ele, “odeiam os EUA”.

Trump já havia anunciado anteriormente o aumento de impostos sobre importações da China, Canadá e México, além de tarifas sobre aço e alumínio — que tiveram impacto na indústria brasileira.

Análise: Tensão no comércio global – Por Faisal Islam, editor de economia da BBC

Com essa nova política, os EUA estão entrando em território arriscado. A imposição de uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações e a cobrança de tarifas recíprocas sobre os “piores infratores” criam um cenário de tensão comercial global.

O governo deixa claro que não há espaço para negociação e que a medida visa regular as importações e eliminar déficits comerciais. Se houver retaliação de outros países, os EUA prometem responder ainda mais agressivamente.

A grande questão agora é: como as potências econômicas, especialmente China, União Europeia e México, vão reagir? Esse movimento pode levar a uma escalada nas disputas comerciais e até a uma nova crise econômica global (BBC News Brasil, 2/4/25)

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