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Ricardo Mussa fala sobre saída da Raízen,etanol de milho e próximos passos

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Por Pasquale Augusto

Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen, conversou com o Money Times nesta semana e falou sobre sua saída do comando da companhia em novembro de 2024. 

O executivo se referiu a Raízen como uma super empresa e disse ter um carinho enorme pelo grupo todo. Mussa ressaltou que houve uma mudança no momento do mercado, que exigia uma outra postura para o grupo Cosan (CSAN3), o que para ele é super compreensível.

“É um lugar que eu tenho uma admiração enorme pelo Rubens (Ometto) e pelos executivos que estão lá. Só tenho coisas boas para falar, mas foi uma questão de momentos diferentes que a companhia vive, um cenário de juros mais altos onde a necessidade pela parte de sustentabilidade e os prêmios diminuíram”.

Ele disse ainda que o ciclo da companhia “já estava completo e a própria Cosan está passando por um momento de reestruturação e redução de dívida, e vamos sair dessa. Acho que foi um bom timing”.

“Existem perfis diferentes de CEO’s para tocar negócios em momentos diferentes. Saio sem nenhuma mágoa, com amizade e próximo ao time, que está fazendo um bom trabalho, e acredito que vamos sair mais fortes lá na frente. Continuo acreditando nos projetos como é o caso do E2G”, completou. 

O etanol de milho 

Em evento do Bradesco BBI realizado em setembro do ano passado, Mussa, até então no comando da Raízen, disse que “se pudesse voltar há uns 5 anos, teria comprado o pessoal do etanol de milho”.

Perguntado sobre o assunto, Mussa destacou o avanço do segmento e reforçou que é fácil apontar o potencial do segmento após o seu claro sucesso. 

“O legal do etanol de milho, que é complementar ao da cana-de-açúcar, é que ele mostra o potencial do Brasil. É muito bom ver essa integração da agricultura com o biocombustível também no milho, sendo uma possibilidade para continuarmos crescendo.

Em sua visão, isso é mérito do Brasil por tornar o milho cada vez mais barato, com mais tecnologia e dos empreendedores que apostaram nisso e fazem um grande trabalho para tornar o Brasil cada vez mais abastecido com renováveis.

A maior contribuição para Raízen e próximos passos

Além de ter comandado a Força-Tarefa de Transição Energética e Clima do B20 no fim do ano passado, Mussa atua hoje como chair do SB COP (Sustainable Business COP30), iniciativa do setor produtivo liderada Confederação Nacional da Indústria (CNI), que visa uma mobilização das empresas nacionais e internacionais para uma participação na COP30, que acontece em Belém em novembro.

Quanto aos próximos passos, Mussa brinca e diz contar com algumas coisas no radar.

“Eu ainda sou muito jovem, gosto muito do mercado de energia e do agro brasileiro. Estou muito novo para ir para um conselho”. 

Sobre a sua maior contribuição para Raízen, o ex-CEO destaca o olhar para o futuro. 

“Pude contribuir, ajudar a passar uma visão para Raízen de um futuro com potencial enorme na parte de renováveis. Sempre fui apaixonado pela companhia e sigo assim porque ela reúne uma marca fabulosa que é a Shell”.

Ele diz que ajudou a Raízen a pensar maior e ter uma visão estratégica de longo prazo. “Não sei se eu deixei um legado, mas é uma continuação de tudo que meu antecessor fez”.

Super Cana

O ex-CEO da Raízen) Ricardo Mussa, que ficou à frente da maior produtora global de etanol de cana-de-açúcar do mundo entre 2020 e fim de 2024, falou sobre o projeto da “super cana” em entrevista ao Money Times.

A variedade que ganhou as atenções do noticiário sucroenergético no começo deste ano, é o grande projeto e aposta do empresário Eike Batista, que já recebeu uma promessa de aporte de US$ 500 milhões do grupo de investimentos Brasilinvest, do empresário Mário Garneiro.

“Estudamos a ‘super cana’ na Raízen, que nunca se mostrou viável por algumas razões. A ‘super cana’ tinha uma dificuldade de colheita porque ela tinha uma densidade enorme, uma dificuldade operacional de esmagá-la”.

Para ele, o sistema não está preparado, “mas o conceito é muito bacana”.

“Lá atrás tentamos e não deu certo, e acabamos desistindo do processo da ‘super cana’”, explicou.

Mussa disse sempre se interessar, como o projeto da ‘super cana’, por projetos atrelados a biomassa.

“A taxa de conversão dela em biomassa é muito alta, mas para ser economicamente viável, ela primeiro precisa ser operacionalmente viável, e nunca conseguimos fazer isso acontecer”.

Em sua visão, é um projeto que tem uma série de pontos interessantes, mas que tecnicamente conta com muitos desafios.

“No caso do etanol de segunda geração (E2G), você usava o bagaço que já estava disponível na esteira da usina”. 

Para “super cana”, o ex-CEO da Raízen explica que era necessário desenvolver um equipamento, uma nova forma de fazer a colheita e novos métodos de processamento.

Ele disse ainda que a variedade tem um longo caminho operacional a percorrer para se tornar viável.

“O bacana fica pela taxa de conversão em biomassa que ninguém nega e que nos atraiu para o projeto. Não conseguimos torná-la viável, mas espero que dê certo”.

“Eu via outras rotas como a da celulose do bagaço de cana-de-açúcar como mais viável, com menos desafios técnicos. O E2G já é uma realidade, com uma demanda já garantida para preço e volume, o que tira muito o risco do projeto”. 

Também em entrevista ao Money Times, o sócio de Eike e CEO da BRXd, Luis Rubio, disse que o projeto deve começar a gerar caixa em 2028. 

Segundo Eike e seu sócio, a “super cana” produz de duas a três vezes mais etanol por hectare, e de 10 a 12 vezes mais biomassa por hectare. 

Durante o CEO Conference, realizada pelo BTG Pactual, o CEO da Cosan (CSAN3), Rubens Ometto, também havia dito que a companhia já trabalhou em cima do projeto da super cana e decidiu abortar os planos.

“O etanol de segunda geração, sim, é uma inovação real. Ele permite aumentar em até 40% a produção sem precisar expandir o plantio. E se eletrificarmos as usinas, podemos dobrar a produtividade sem nenhum investimento adicional em novas lavouras”, comentou (Money Times, 3/4/25)

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