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Relatório dos EUA reforça relevância do etanol em negociações do Brasil

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Estudar alternativa para o pleito dos EUA sobre o etanol será necessidade ‘básica’ se o Brasil quiser permanecer à mesa com os americanos.

O relatório anual sobre barreiras comerciais divulgado nesta segunda-feira, 31, pelo governo de Donald Trump reforçou a relevância que o etanol tem e terá nas negociações comerciais com o Brasil. Embora não tenha inovado nas críticas tradicionalmente feitas ao Brasil, o documento dá pistas sobre a argumentação que os Estados Unidos poderá lançar caso inclua o País no tarifaço amplo que será anunciado nesta quarta-feira, 2 – no que Trump vem chamando de “Dia da Liberação”.

Publicado pelo gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o documento tem seis páginas dedicadas ao Brasil. “Embora o relatório repita as reclamações norte-americanas dos últimos anos, o temor agora é que sirva de pretexto para elevação unilateral de tarifas”, disse ao Estadão/Broadcast o sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados, Welber Barral, que foi secretário de Comércio Exterior do governo brasileiro de 2007 a 2011.

Há uma pressão antiga dos Estados Unidos pela redução do imposto de importação aplicado pelo Brasil sobre o produto norte-americano, de 18% ante 2,5% da tarifa cobrada para o etanol brasileiro que entra nos EUA. Foto Daniel Teixeira – Estadão

Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que, dos temas citados, a tarifa aplicada sobre o etanol norte-americano é a reclamação mais clara dos EUA, da qual o Brasil não deve ter escapatória se quiser negociar com o governo Trump para reverter um eventual um tarifaço agressivo.

Uma fonte que acompanha as tratativas do governo acredita que, no estágio atual, o diálogo entre Brasil e Estados Unidos dificilmente teria o condão de influenciar no anúncio que o republicano fará nesta quarta-feira. O momento é de aguardar a decisão de Trump, analisar os impactos e então agir para atenuar os efeitos da medida.

O setor privado espera que o Executivo brasileiro não suba demasiadamente o tom nesta quarta-feira se o País for atingido diretamente pelo anúncio do republicano. A avaliação das empresas, segundo representantes, é de que o Brasil precisará ter frieza para reagir, antes analisando os impactos e depois partindo para a negociação com os EUA.

Nesse sentido, estudar uma alternativa para o pleito dos Estados Unidos sobre o etanol será uma necessidade “básica” se o Brasil quiser permanecer à mesa com os americanos. Há uma pressão antiga dos Estados Unidos pela redução do imposto de importação aplicado pelo Brasil sobre o produto norte-americano, de 18% ante 2,5% da tarifa cobrada para o etanol brasileiro que entra nos EUA.

No relatório de ontem, o USTR afirma que o país continua a se envolver com o Brasil para reduzir sua tarifa de etanol para fornecer tratamento recíproco no comércio do produto.

Nesta terça-feira, 1º, ao falar do relatório, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reconheceu que a tarifa cobrada pelo Brasil é mais alta, mas ponderou que os produtores brasileiros não conseguem “entrar tanto” nos Estados Unidos com a venda do açúcar.

“O Brasil impõe tarifas relativamente altas sobre importações em uma ampla gama de setores, incluindo automóveis, peças automotivas, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço e têxteis e vestuário”, disse também o relatório.

Incerteza

O grau de incerteza sobre o que será anunciado por Trump amanhã é avaliado como “absurdo” por pessoas do setor privado. Há duas possibilidades vislumbradas: a primeira, de uma aplicação universal de novas tarifas para todos os parceiros comerciais. A segunda, a taxação extra somente sobre um grupo de países, como México, Canadá, China, Índia, da União Europeia – com alta probabilidade de o Brasil estar incluso.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, na semana passada, uma comitiva com diplomatas brasileiros foi aos Estados Unidos para fazer uma rodada de conversas sobre as tarifas de importação que vêm sendo impostas. Nos diálogos, integrantes do governo Lula sondaram interlocutores da gestão americana sobre a tendência do anúncio de amanhã.

Integrantes brasileiros afirmam que, até o momento, não houve qualquer sinalização da gestão americana sobre se o Brasil será afetado ou não no novo anúncio. Até lá, o País seguirá apostando na continuação das conversas com os americanos.

Outra estratégia que está sendo avaliada, caso a argumentação não seja suficiente, é a possibilidade de negociar um trade-off com outro produto, como o etanol. Caso não avance também, a adoção da reciprocidade não está descartada.

Nesta terça-feira, 1º, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal (CAE) aprovou o “PL da Reciprocidade”, que oferece ao governo a possibilidade de adotar “contramedidas na mesma base” quando os produtos brasileiros se tornarem alvo de retaliações por outros países. Hoje, Alckmin louvou a iniciativa do Senado, mas voltou a destacar que o caminho diante da política tarifária do governo norte-americano é o de buscar negociação e a complementaridade econômica (Estadão, 2/4/25)

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