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Bancada do agro identifica medidas de Lula que estimulam invasão de terra

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Frente Parlamentar da Agropecuária apresenta cronologia das ações do atual governo e manifesta preocupação com Abril Vermelho; Coluna do Estadão teve acesso ao documento.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) identificou oito medidas do governo Lula desde o início do mandato que, na visão da bancada, estimulam as invasões de terra no País. A lista, obtida pela Coluna do Estadão, será apresentada nesta terça-feira, 1º, e inclui decretos, minutas, portarias, instruções normativas e revogação de memorando. A discussão ganha força com a aproximação do “Abril Vermelho”, período em que grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) aumentam as invasões de propriedades como forma de pressão.

“Desde o início do Governo Lula 3, observa-se uma estratégia voltada à reconfiguração das políticas de reforma agrária e regularização fundiária, com o objetivo de retomar os modelos adotados por gestões anteriores de viés à esquerda”, diz a FPA, presidida pelo deputado Pedro Lupion (PP-PR).

Na lista de medidas criticadas pela bancada do agro, a mais recente é a publicação de dois decretos, no mês passado, que declararam de interesse social diversas propriedades rurais para desapropriação e destinação ao Programa Terra da Gente. O agro diz que, com o texto, o governo permite assentamentos de indivíduos que estariam impedidos por lei de participação da política de reforma agrária por terem invadido terras.

“Tal estratégia tem comprometido a transparência e violado procedimentos legalmente estabelecidos, sendo conduzida de forma a beneficiar grupos e indivíduos politicamente alinhados à atual administração — em especial, movimentos envolvidos com invasões de terras”, emenda a frente parlamentar.

A FPA demonstra preocupação com o aumento de invasões no “Abril Vermelho” e critica: “Mas o que mais espanta, não é o anúncio desses crimes (que por si só é algo muito grave), e sim, a completa inação do estado brasileiro em prepara uma reprimenda para essas ações, ou rechaçá-las. Só existem duas explicações possíveis para o fato, trata-se de conivência, ou prevaricação.”

Em fevereiro, segundo a FPA, minutos de projetos de lei propostas pelo governo promovem retrocesso na governança e na gestão do Programa de Venda em Balcão e da Política Agrícola Nacional, com “claro objetivo em beneficiar grupos ligados a movimentos invasores”. Já um decreto de agosto de 2023, na visão da bancada do agro, abre brecha para transformar a gestão dos assentamentos em mecanismo de barganha política.

Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Foto Pablo Valadares Agência Cãmara

Veja a lista completa das medidas citadas pela FPA:

Abril de 2023

  • Revogação do Memorando-Circular nº 01/2019/SEDE/INCRA. O memorando revogado determinava a suspensão das vistorias de imóveis rurais para fins de obtenção, bem como a interrupção dos processos administrativos da reforma agrária que se encontravam em fase de instrução. Segundo a FPA, a norma encontrava amparo na legislação vigente, que exige previsão orçamentária para a indenização dos proprietários de terras desapropriadas.

Julho de 2023

  • Instrução Normativa INCRA nº 132/2023. Alterou os procedimentos para a declaração de interesse social de terras destinadas à reforma agrária. Segundo a FPA, representa um retrocesso na gestão da reforma agrária no Brasil ao fragilizar a transparência do processo, estimular a ocupação de terras como meio de pressão política e permitir a seleção de beneficiários por grupos organizados, em detrimento de um sistema universal e acessível.

Agosto de 2023

  • Decreto nº 11.637/2023. Segundo a FPA, as alterações promovidas pelo decreto sugerem uma direção preocupante, na qual a gestão dos assentamentos pode se tornar mais um mecanismo de barganha política do que uma solução estruturada para o desenvolvimento agrário e social do país.

Setembro de 2023

  • Decreto nº 11.688/2023. De acordo com a FPA, o texto deveria ser um instrumento de regulamentação da Lei de Regularização Fundiária, entretanto, suas disposições na prática desmontam o processo de regularização.

Abril de 2024

  • Decreto nº 11.995/2024 – Terra da Gente. Institui o Programa Terra da Gente, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Segundo a FPA, o decreto levanta preocupações quanto à burocratização do acesso à terra, à excessiva interferência governamental, à insegurança jurídica para produtores rurais e à falta de clareza na destinação de recursos financeiros.

Janeiro de 2025

  • Portaria Conjunta MMA/MDA nº 1.309/2025. Na avaliação da FPA, complementa os objetivos iniciados por decreto anterior de criar barreiras para a regularização fundiária dessas áreas, e transferira atribuições fundiárias aos órgãos de meio ambiente.
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Fevereiro de 2025

  • MINUTA – ALTERAÇÕES NA LEI 14293/22 E 8171/91. Segundo a FPA, as alterações propostas representam um retrocesso na governança e na gestão do Programa de Venda em Balcão e da Política Agrícola Nacional, criando riscos significativos de uso político, ineficiência e falta de transparência.

Março de 2025

  • Decretos nº 12.392 a 12.398/2025. De acordo com a FPA, o governo burla (por meio da aquisição direta de imóveis previamente invadidos) o mecanismo que impediria o assentamento em terras invadidas, e assenta indivíduos que estariam impedidos por Lei de participar da política de reforma agrária (invasores de terras) (Estadão, 2/4/25)
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