Postura do PSD nas eleições pode dar vantagem à sigla na indicação de um nome para a Agricultura, e permanência de André de Paula não está descartada.
As articulações para a composição de ministérios e cargos na área agrícola do próximo governo começaram a ganhar tração em Brasília. As definições de nomes, no entanto, dependerão da costura política mais ampla que o Executivo fará, processo que envolve negociações no Congresso Nacional e com os partidos do Centrão para viabilizar melhor a governabilidade a partir de 2027.
O PSD, que indicou os ministros da Agricultura nesta gestão, pode manter o comando da Pasta, avaliam pessoas a par do assunto. Apesar de o partido ter se “dividido” nessas eleições, inclusive com candidatura própria de Ronaldo Caiado e com o posterior alinhamento de integrantes a Flávio Bolsonaro, não houve uma “debandada” geral ou anúncio de apoio oficial ao candidato derrotado.
Na visão de uma fonte, isso dá “ainda mais crédito” à sigla. Nesse cenário, ganha força a possibilidade de permanência do atual ministro, André de Paula. Apesar de não ser ligado ao setor, ele tem a simpatia de líderes setoriais, que elogiam sua desenvoltura política e abertura ao diálogo. Seu perfil casaria com a necessidade do governo, de apaziguamento com o agronegócio e de recomposição política. O ministro também teria apoio da bancada do partido na Câmara e o aval do líder, deputado federal Antônio Brito (BA).
Se ficar, André de Paula quer autonomia para trocar secretários e montar sua equipe. Em abril, quando saiu do Ministério da Pesca para assumir a Agricultura, herdou uma Pasta de “porteira fechada”, com diversos indicados pelo antecessor Carlos Fávaro em postos-chave. O novo ambiente o ajudaria na aproximação com o setor e no desenvolvimento de uma marca própria para sua gestão.
Fávaro (PSD) também tem se articulado para um retorno ao governo. Ele não se reelegeu ao Senado por Mato Grosso e deixará o mandato em janeiro. Fontes em Brasília, porém, veem poucas chances de ele retornar ao ministério. Lideranças apostam que ele poderá ser indicado para outro cargo, eventualmente na área agrícola, mas no segundo escalão. Ele não teria o apoio do partido e, dificilmente, entraria em cota pessoal de Lula.
Carlos Augustin, que foi assessor especial de Fávaro, iniciou uma campanha por apoio de entidades do setor para a Pasta. Empresário do ramo de sementes, foi filiado ao PT e migrou para o PSB para compor a chapa de Pedro Taques como suplente na candidatura ao Senado por Mato Grosso, mas foi derrotado. Ele tenta costurar sua ida ao ministério por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin, seu correligionário. Porém, falta a ele “estofo político”, avaliam fontes (Globo Rural, 3/11/26)
André de Paula diz não ter sinal de Lula sobre permanência na Agricultura

André de Paula-Agência Brasil
Ministro afirma que decisão sobre o próximo comando da pasta cabe ao presidente e diz que deixará o cargo com gratidão, caso não seja mantido.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), afirmou nesta terça-feira (3) que ainda não recebeu nenhum sinal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre sua permanência no comando da pasta em 2027. Segundo ele, a decisão caberá exclusivamente ao presidente e reconheceu que a pasta pode passar por mudanças na composição do próximo governo.
“Quem decide isso é o presidente. Não há nenhum indicativo novo, nenhuma conversa em relação a uma permanência. Isso é algo que eu entendo que, no momento oportuno, o presidente fará. Evidente que ele vai promover mudanças, essas mudanças podem atingir o Ministério da Agricultura, e eu vou encarar como absolutamente natural que isso ocorra”, disse em entrevista ao Blog do Magno.
De Paula ainda afirmou que considera uma honra ter comandado dois ministérios durante o terceiro mandato de Lula. Antes de assumir a Agricultura, em abril deste ano, ele estava à frente do Ministério da Pesca e Aquicultura desde 2023.
O ministro também reconheceu que a pasta é cobiçada por partidos e lideranças políticas, em razão de sua importância econômica e orçamentária.
Atualmente, o dono da pasta é o PSD, de Gilberto Kassab, que concorreu à Presidência da República como vice na chapa de Ronaldo Caiado, e perdeu no primeiro turno.
A disputa pela Agricultura ocorre em meio às negociações para a formação do quarto mandato de Lula. A expectativa é que o presidente reorganize o primeiro escalão e use a distribuição de ministérios também como instrumento de articulação política com os partidos que podem compor sua base no Congresso.
O PSD busca manter espaço na Esplanada e trabalha para preservar ao menos três ministérios que estão sob seu comando: Agricultura, Minas e Energia e Pesca.
Em entrevista à CNN, Kassab afirmou que o partido não vai colocar cargos como premissa de relação com o próximo governo de Lula. Segundo ele, temas como economia e a reforma do Judiciário serão os responsáveis por definir a proximidade que a legenda vai ter do novo governo Lula.
Alexandre Silveira, titular de Minas e Energia, é apontado como bem avaliado por Lula, sobretudo por sua atuação em Minas Gerais, estado considerado determinante para a vitória eleitoral. Além disso, o nome do deputado Antônio Brito (PSD-BA), surge como cotado para ocupar o terceiro ministério da cota do partido (CNN, 3/11/26)










