Conjuntura da produção de etanol de milho – Acompanhamento produtivo do etanol de milho
Os dados acumulados do MAPA mostram uma produção de 5,49 milhões de m³ de etanol de milho, no acumulado até a 1ª quinzena de outubro, o que é 16,1% maior do que o registrado no mesmo período da safra 2025/26. Este montante representa cerca de 21% do total de etanol produzido no período. A 1ª quinzena de outubro mostrou recuperação relevante, com 479 mil m³ produzidos, depois de cair para 433 mil m³ na última quinzena de setembro.
Com relação ao tipo de etanol, o anidro continua ganhando espaço, representando 50% do etanol de milho produzido, com um total de 2,74 milhões de m³. Apesar disso, as últimas três quinzenas têm apresentado uma aceleração na produção de hidratado.
Colocando ambas as regiões no mesmo calendário de safra, vemos que o Centro-Sul cresceu 6,3% e o Norte-Nordeste praticamente dobrou. Vale ressaltar que quase 2/3 do crescimento da produção do etanol de milho pode ser atribuído ao NNE.
Por outro lado, o crescimento do CS é tímido tendo em vista o potencial atual de produção em torno de 12,7 milhões de m³ ao ano.

Perspectivas para Safra 2026/27
Considerando as capacidades produtivas atuais, o NNE está com um índice de uso de 63,3% enquanto o CS está em 49,6%, sendo este última uma frustração das expectativas do avanço do setor, sendo que o mercado esperava uma produção maior do Centro-Sul já na safra 2026/27. Em nossas estimativas, projetamos um total de 10,5 milhões de m³ de etanol de milho produzidos no CS.
É válido ressaltar que existem 9 usinas com obras concluídas – sejam novas instalações ou ampliação de capacidade – aguardando autorização para ínicio de operação junto à ANP, de modo que o ramp-up esperada para o aumento da capacidade de etanol de milho nessa safra está sendo mais demorado do que previsto inicialmente.
Outro fator que pode estar contribuindo para um crescimento mais lento é a demanda abaixo das expectativas no início do 2026, cenário que passou a se reverter em julho e o indicador acumulado da safra para o etanol hidratado é de alta de 10,2%.
Com baixa demanda no final da safra 2025/26 e início da 2026/27, os produtores foram menos estimulados a aumentar sua produção.
Contudo, o cenário atual mostra um potencial de escassez de etanol anidro, com o aumento da mistura obrigatória para E32 e avanço das vendas da gasolina C no começo do ano. Na semana de 23 de outubro, o prêmio do anidro chegou a 24% de acordo com os indicadores de preço sem impostos do CEPEA para Ribeirão Preto (SP). Já os dados de estoques no CS estão em 2,8 milhões de m³ de acordo com o MAPA, 13% abaixo da safra anterior que já foi uma temporada com estoques de anidro estressados.

Etanol de milho | capacidade anual instalada
Projeção da capacidade instalada anual de produção de etanol de milho

Fontes: ANP e levantamento próprio. Estimativa e elaboração: StoneX.
Conjuntura da oferta de DGs

Conjuntura do mercado de milho e preços dos DGs
As margens estimadas da produção de etanol de milho no mercado internacional seguiram bastante sustentadas. O cenário de forte pressão baixista nos preços internacionais do milho somados a uma valorização do real após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras, no início de outubro, ajudaram a pressionar os preços do milho no mercado físico doméstico.
Além disso, os preços mais sustentados dos produtos, como o etanol e o DDG também deram sustentação às margens das usinas.
Do lado do etanol, uma recuperação dos preços do açúcar ajudam a sustentar esse mercado, enquanto do lado dos DDGs, um avanço dos preços do farelo de soja é um fator que tende a entregar uma sustentação também para esse produto. Além da correlação com o farelo, o consumo também segue favorável: as exportações de DDGs avançaram de forma bastante expressiva no mês de setembro, puxadas sobretudo pela China, mais uma vez. Com isso, mesmo faltando três meses para serem contabilizados, 2026 já é um ano de exportações recordes de DDG brasileiro.
A perspectiva de uma boa oferta nos Estados Unidos ajuda a entregar um balanço global mais comportado, o que seria uma boa sinalização do ponto de vista de margens. Ainda assim, o resultado surpreendente do segundo turno das eleições e a elevação do preço do dólar somado a uma incerteza climática com relação à safra brasileira, são fatores que vão seguir sustentando os preços de milho nesse período de entressafra.
Praças: Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT). * R$/sc – 60 kg. ** R$/t. Fontes: StoneX e CEPEA. Elaboração: StoneX.
(Assessoria de Comunicação, 3/11/26)










