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Fim da escala 6×1:Empresas do agro que mais devem sentir impacto da mudança

Por Pasquale Augusto

A possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem corte salarial, pode aumentar os custos operacionais de empresas ligadas ao agronegócio, segundo avaliação do BTG Pactual.

Entre os segmentos analisados, os produtores de açúcar e etanol aparecem como os mais vulneráveis ao fim da escala 6×1. Isso porque o setor depende fortemente de mão de obra, opera de forma contínua durante a safra e tem pouca capacidade de repassar aumentos de custos aos preços das commodities.

Os frigoríficos também devem sentir os efeitos da medida. De acordo com o banco, a MBRF (MBRF3) é a empresa com maior sensibilidade à mudança devido à sua forte exposição aos mercados de aves e suínos, atividades que demandam grande contingente de trabalhadores.

Já a JBS (JBSS32) tende a sofrer impacto menor graças à sua diversificação geográfica e operacional, com parte relevante das receitas geradas fora do Brasil.

No campo, produtores de grãos e empresas de serviços agrícolas aparecem em situação mais confortável. O BTG destaca que esses negócios possuem menor peso da folha de pagamento sobre as receitas e menor dependência de operações industriais ininterruptas.

Entre as companhias de alimentos básicos, M.Dias Branco (MDIA3) e Camil (CAML3) também podem enfrentar pressão nas margens caso a proposta avance. Segundo os analistas, o impacto é especialmente relevante sobre o lucro líquido dessas empresas.

Por outro lado, a Ambev (ABEV3) desponta como uma das companhias mais preparadas para absorver os custos adicionais. O banco estima que a cervejaria conseguiria compensar o aumento de despesas trabalhistas com um reajuste de aproximadamente 0,5% em seus preços, apoiada por margens mais robustas e maior poder de precificação.

Na avaliação do BTG, embora a mudança tenha potencial de elevar custos em diversos elos da cadeia agroindustrial, os efeitos devem variar significativamente conforme a intensidade de mão de obra, o grau de automação e a capacidade de repassar preços ao consumidor (Money Times, 16/10/26)

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