A Cosan está com mais tempo e condições para buscar um bom preço pela fatia de 15% da Rumo que colocou à venda. A operação está na fase final e tem um interessado conhecido pelo mercado, a chinesa Cofco, que fez sua proposta em parceria com a Bunge. Outros competidores como o Grupo México, a Ultrapar e a Inpasa desistiram do processo.
O fato é que, após concluir a abertura de capital (IPO) da Compass, que colocou cerca de R$ 2 bilhões para dentro da companhia; vender R$ 586 milhões em terras de sua controlada Radar; além de conduzir a recuperação extrajudicial da Raízen de forma amigável com os credores, a Cosan agora ganhou vantagem na negociação da Rumo. A principal questão, até o momento, segue sendo justamente o preço.
Além do IPO e das vendas de terras, que renderam R$ 2,6 bilhões, a Cosan levantou mais R$ 10 bilhões em uma capitalização que contou com recursos dos sócios (BTG Pactual, Perfin e Água Santa, que cuida dos recursos de Rubens Ometto) e uma oferta de ações. Com isso, o endividamento consolidado do grupo caiu 47% na comparação do segundo trimestre de 2026 com o mesmo período de 2025. “A Cosan não está mais com a faca no pescoço para tomar decisões”, disse um interlocutor.
Na Rumo, o número mágico de R$ 5 bilhões para a venda da participação, revelado por fontes do mercado, é um valor que terminaria de resolver a questão do endividamento da holding, reduzindo ainda mais a alavancagem. No entanto, a gestão tem no cardápio outras opções que pode lançar mão. No limite, é possível vender uma nova fatia da Compass a mercado ou mesmo mais terras da Radar. A companhia está ainda na fase final da venda do Terminal de Uso Privado Porto São Luís (TUP São Luís), que deve levantar mais R$ 300 milhões.
No último balanço, do segundo trimestre de 2026, a companhia ainda tinha R$ 9,2 bilhões em dívida líquida. No endividamento atual, a companhia deixa as controladas pressionadas por distribuição de dividendos. Ao resolver suas próprias contas, porém, as empresas investidas poderiam ganhar mais liberdade para buscar crescimento e fazer eventuais investimentos.
Segurança alimentar
Mais confortável para buscar um preço que julgue favorável, a empresa discute com os potenciais compradores também questões de governança. No caso da Cofco e da Bunge, um tema trazido é como a primeira poderia, com sua participação na Rumo, alcançar mais segurança de abastecimento da China, seu país de origem. Isso porque a Rumo transporta um grande volume de grãos exportados para o país asiático. No caso de potenciais compradores financeiros que, segundo fontes, teriam voltado a olhar o ativo eventualmente, as exigências são menores.
Nos últimos meses, com uma leitura do mercado de que houve melhora operacional da empresa, bem como um risco menor nas contas da holding, a ação da Rumo se valorizou. A empresa acumula alta de 30% de meados de julho, quando atingiu seu preço recente mais baixo até o fechamento de ontem, 30.
Além disso, o desfecho amigável da situação da Raízen, que renegociou R$ 70 bilhões em dívidas, afastou um risco implícito nas demais controladas da Cosan. “Uma recuperação judicial da Raízen poderia afetar a oferta de crédito e rolagem de dívidas das demais controladas”, disse uma fonte.
Procuradas, Cosan e Cofco não comentaram até o fechamento desta reportagem (Estadão, 2/10/26)










