Documento foi enviado ao presidente da ANP; há relatos de restrições e atrasos na entrega do combustível.
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) protocolou, nesta segunda-feira (14/9), um ofício direcionado ao diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto. O documento manifesta preocupação com novos relatos de restrições e atrasos na entrega de óleo diesel aos produtores rurais gaúchos, justamente no momento em que se inicia o plantio da safra de verão.
Em vídeo divulgado nas redes sociais da entidade, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, classificou o episódio como uma repetição de um problema já registrado no início do ano, durante a colheita de arroz e de soja. “Naquele momento, havia informação oficial de que existiam estoques no Estado, mas o combustível não chegava às propriedades”, afirmou. Na ocasião, houve severas limitações de fornecimento, com registros de operações agrícolas interrompidas e preços do diesel comercializado chegando a alcançar até R$ 9 por litro. As dificuldades atingiram cerca de 170 municípios gaúchos.
Segundo Lopes, a entidade já havia denunciado o problema à época, cobrado explicações das autoridades e defendido uma investigação sobre o funcionamento da cadeia de distribuição. “Agora, o problema reaparece em um momento igualmente decisivo: o início do plantio da safra de verão”, completou.
Estudos da Assessoria Econômica da Farsul apontam que a alta de 21,1% no preço do diesel S10 (que saltou de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro) poderia acrescentar R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas nas principais lavouras do Estado. Em um cenário mais crítico, com o combustível a R$ 9,00 por litro, as perdas potenciais poderiam chegar a R$ 1,47 bilhão.
O problema reaparece em um momento de janela agronômica bastante limitada. A Farsul adverte que a falta de combustível pode atrasar a implantação das culturas, reduzir a área plantada e comprometer a produtividade. Além disso, o encarecimento do diesel encarece a produção e o transporte, gerando reflexos diretos na economia e nos preços dos alimentos ao consumidor.
A entidade também destaca que, conforme boletim da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço nacional do diesel permaneceu abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com defasagem de até R$ 2,56 por litro. A subvenção de R$ 1 por litro anunciada pelo governo federal em 9 de setembro é vista como uma medida que precisa resultar urgentemente em oferta efetiva, regularidade de entregas e redução de preços.
A Farsul cobra da ANP a adoção imediata de fiscalização das distribuidoras que operam no Rio Grande do Sul, assim como a divulgação atualizada e regionalizada dos estoques, pedidos recebidos, volumes entregues, recusas e prazos de atendimento. Além disso, a entidade solicita esclarecimento dos critérios utilizados pelas distribuidoras na alocação dos volumes disponíveis; apuração de eventuais recusas injustificadas, retenção de produto, discriminação entre compradores ou limitação artificial da oferta; informações sobre o calendário de importações e os efeitos práticos da subvenção anunciada pelo governo; e a apresentação dos resultados das apurações realizadas durante a crise de março e abril, bem como de um plano de contingência para os períodos de plantio e colheita (Globo Rural, 14/9/26)










