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‘Brasil vive combinação de crise institucional com uma crise moral”

Os economistas participaram de debate promovido pelo ‘Estadão’ sobre os desafios econômicos do próximo governo. ‘O Brasil só muda quando põe o pé no abismo’, diz José Roberto Mendonça de Barros.

O Brasil enfrenta uma combinação de crise institucional com uma crise moral, às vésperas das eleições, afirma a economista e advogada Elena Landau, que participou, ao lado do economista e sócio da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros, do quarto debate promovido pelo Estadão para discutir os desafios econômicos do próximo governo.

Isso é um dos principais fatores de desestímulo a investidores e profissionais que atuam dentro das regras de transparência e de mercado para atuar no País. Segundo os participantes, a fragilidade institucional favorece grupos com maior capacidade de influência sobre órgãos reguladores, Legislativo, Executivo e Judiciário, dificultando a entrada de novos investidores, especialmente no setor de infraestrutura.

“Nas disputas por concessões em infraestrutura, não tem investidor novo. Só atua a pessoa que já sabe como lidar com agência reguladora, com legisladores e o Congresso Nacional”, diz Landau.

Segundo os economistas, o problema não é recente e vem se acumulando há décadas. A percepção é de que a deterioração institucional se tornou mais visível, enquanto o País se aproxima de uma situação de esgotamento econômico, com crescimento cada vez menor e menos instrumentos para impulsionar a atividade.

Economistas Elena Landau e José Roberto Mendonça de Barros durante debate sobre eficiência e governança. Foto Daniel Teixeira Estadão

“O Brasil só muda quando põe o pé no abismo. É assim que historicamente acontece no País, porque ele sempre se acomoda e evita mudar. A escravatura, por exemplo, só foi revogada quando já não fazia mais sentido econômico”, diz Mendonça de Barros. “Estamos escorregando lentamente para o abismo. Crescemos dois anos atrás mais do que no ano passado; este ano vai crescer menos e o ano que vem vai ser menos ainda. As grandes empresas entrando em recuperação judicial chamam atenção.”

Para o economista, o País não tem mais coelhos para tirar da cartola. Na primeira década do milênio, “a China nos puxou pelo cabelo”. Depois, o setor agropecuário elevou a economia. Nos últimos anos, houve um aumento forte da carga tributária.

“A sociedade não aceita mais inflação. E o debate público agora fala que não tem escape, a não ser fazer algum ajuste fiscal”, defende Mendonça de Barros. “O abismo pode nos empurrar para alguma coisa que nos levará a um lugar melhor. Há um problema grave de governança, e estamos nos aproximando da situação de abismo, ajudada por cenário internacional, de rearranjo geopolítico e de inteligência artificial.”

O capital estrangeiro pode ter papel decisivo nesse processo de trazer recursos para reavivar os investimentos no País, em especial porque o Brasil tem ativos capazes de despertar interesse internacional, como recursos naturais, terras raras e segurança geopolítica. A questão, porém, é saber até que ponto o retorno potencial compensa os riscos institucionais e econômicos, destaca Landau (Estadão, 26/8/26)

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