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Juros altos e biocombustíveis colocam Brasil como ‘queridinho’ global

O choque no preço do petróleo, a explosão nos custos dos alimentos e as tensões geopolíticas dos últimos anos colocaram o Brasil em posição de destaque no cenário global. A avaliação foi feita por Priscila Trigo, economista especialista em agronegócio do Bradesco, durante o Rural Tech Summit, em Piracicaba (SP).

Segundo a economista, o país passou a ser visto como um fornecedor estratégico em um momento marcado por guerras, transição energética, disputa comercial e busca global por segurança alimentar e energética.

“O Brasil virou o queridinho porque reúne características raras no mundo hoje: é produtor de alimentos, potência em biocombustíveis, gerador de energia limpa e está distante geograficamente dos principais conflitos”, afirmou.

Trigo relembrou que a pandemia foi o primeiro grande choque recente da economia global, seguida pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que afetou diretamente o fornecimento de fertilizantes, milho e trigo, produtos em que os dois países têm relevância internacional. O conflito também pressionou os preços do petróleo e elevou os custos da cadeia agroalimentar em diversos países.

Mais recentemente, as tensões no Oriente Médio e os riscos de interrupção no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, aumentaram as preocupações do mercado em relação à oferta de energia.

Ao mesmo tempo, a economista destacou que a corrida tecnológica acelerou a demanda global por energia. O avanço da eletrificação de veículos, a busca por componentes eletrônicos e a expansão da inteligência artificial e dos data centers ampliaram a necessidade por fontes energéticas. “Tudo isso demanda muita energia, e o Brasil aparece em destaque porque somos exportadores não só de alimentos, mas também de energia limpa”, disse.

Nesse contexto, os biocombustíveis também ganharam importância. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol e biodiesel e passou a atrair atenção em meio ao avanço da transição energética.

Além disso, Trigo afirmou que os juros elevados também contribuem para manter o Brasil no radar internacional. Segundo ela, mesmo que a taxa Selic recue nos próximos anos, o país ainda deve manter um patamar considerado alto em relação a outras economias.

“Enquanto outros países fizeram ajustes de corte de juros, o Brasil não fez esse processo. Cair de 14,5% para 12% ainda representa uma taxa elevada e restritiva”, afirmou. Segundo a economista, esse diferencial ajuda a atrair capital estrangeiro para o país (Globo Rural, 21/5/26)

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