Volume recorde representa um aumento de 4,3% em relação ao processado no ano passado.
O Brasil deverá processar um volume recorde de soja neste ano, de acordo com novas estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A organização atualizou na quinta-feira (22/1) seus cálculos e elevou sua projeção para 61 milhões de toneladas, um aumento de 0,8% em relação às 60,5 milhões de toneladas do cálculo anterior. Com isso, a nova estimativa representa um crescimento de 4,3% em relação ao processamento de 2025.
A estimativa para a produção de farelo de soja cresceu 0,9%, passando de 46,6 milhões de toneladas para 47 milhões de toneladas. Em comparação com 2025, o aumento esperado é de 4,2%.
Para a produção de óleo de soja, a previsão aumentou 0,8%, passando de 12,15 milhões de toneladas para 12,25 milhões de toneladas. Na comparação com o ano passado, o crescimento, caso se confirme, será de 4,7%.
“Ao processarmos 61 milhões de toneladas, estamos agregando valor à nossa matéria-prima e garantindo o suprimento de proteínas e energia para o mercado interno e global”, afirmou Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove.
Ariel Nunes, analista da Gran Center Commodities, projeta demanda firme por óleo de soja para a produção de biodiesel. Ele acredita que a procura por farelo também deve se acelerar.
“Nos últimos anos, o aumento da mistura de biodiesel ao diesel elevou as margens das indústrias com o óleo de soja. No caso do farelo, com o aumento da oferta, a matéria-prima tende a ficar mais barata. O preço vantajoso deve atrair mais demanda”, disse.
A Abiove também elevou sua estimativa para os embarques do complexo soja. A projeção para a exportação de soja em grão subiu 0,5%, para 111,5 milhões de toneladas, o que corresponde agora a um aumento de 3,1% em relação a 2025.
Para Nunes, a estimativa da Abiove é otimista. “A China vai demandar muita soja do Brasil nos próximos meses, mas também há um acordo para ela continuar importando dos Estados Unidos. Os embarques devem se desacelerar no segundo semestre e alcançar 107 milhões de toneladas”, disse.
A estimativa da associação para os embarques de óleo de soja em 2026 subiu 11,5%, para 1,45 milhão de toneladas. O volume é 6,4% maior do que o do ano passado.
A Abiove não alterou sua estimativa para as exportações de farelo de soja. A projeção ainda é de 24,6 milhões de toneladas, ou 5,6% a mais do que em 2025.
Além de crescimento dos volumes de exportação do complexo soja, a indústria também projeta aumento de preços, o que deve engordar a receita com os embarques. A associação estimou que as exportações do complexo soja devem movimentar US$ 57,28 bilhões neste ano, ou 8,3% a mais do que em 2025. Segundo o cálculo da entidade, o preço médio da soja em grão exportado subirá 5,6%, para US$ 425 por tonelada.
No caso do farelo de soja, a Abiove projeta que o preço médio cairá 1,4%, a US$ 335 por tonelada. Já para o valor médio do óleo de soja, a estimativa é de aumento de 7,3%, para US$ 1.140 por tonelada.
Por fim, a associação acredita em aumento do consumo de farelo e de óleo de soja no mercado interno. Mas, mesmo com demanda mais aquecida no Brasil e no exterior, a Abiove prevê que o estoque de soja no fim do ano será 30% maior do que o do fim de 2025, somando 9,2 milhões de toneladas.
Desempenho em 2025
Em 2025, o esmagamento de soja no país atingiu 58,5 milhões de toneladas, com produção de 45,1 milhões de toneladas de farelo de soja e 11,7 milhões de toneladas de óleo de soja.
As exportações somaram 108,2 milhões de toneladas de soja em grão, 23,3 milhões de toneladas de farelo e 1,36 milhão de toneladas de óleo. Do lado das importações, o país adquiriu 969 mil toneladas de soja e 105 mil toneladas de óleo de soja (Globo Rural)









