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Após recorde, produção de etanol deve “tropeçar” na safra 2025/26

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Avaliação é do Itaú BBA. Alta esperada para combustível extraído do milho não deve compensar recuo de 10% no derivado de cana-de-açúcar.

Após o recorde no ciclo encerrado em março, a produção de etanol deve tropeçar na safra 2025/26 e recuar 3% no Centro-Sul, que responde por pouco mais de 90% da oferta do combustível no Brasil. De acordo com projeção preliminar do analista Lucas Brunetti, da consultoria agro do Itaú BBA, a região deverá produzir 33,4 bilhões de litros na safra que se inicia. A alta esperada de 19% para o combustível extraído do milho, para 9,6 bilhões de litros, não deve compensar o recuo de 10% que a produção de etanol de cana-de-açúcar deve ter.

O setor vem de uma situação distinta. Apesar da colheita recuar quase 5% na última safra, para algo perto de 620 milhões de toneladas, os estoques de passagem em cerca de 800 milhões de litros, um percentual maior da cana direcionada para a produção de etanol e o crescimento persistente da produção a partir do milho sustentaram o mercado, analisa Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

Segundo Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as vendas de etanol hidratado cresceram em um terço no ano passado, para 21,6 bilhões de litros. No longo prazo, as projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para 2033, numa hipótese mais otimista, são de aumento de até 24,8% na produção total de etanol, na comparação com 2024.

Na análise de Rodrigues e Brunetti, tem ocorrido uma espécie de “democratização” da oferta nos últimos anos, com a produção avançando inicialmente para o oeste paulista, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e mais recentemente para a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia), impulsionada pelo etanol de milho.

O combustível a partir do cereal avançou 31% entre as safras 2023/24 e 2024/25, para 8,25 bilhões de litros, e deve se aproximar dos 10 bilhões de litros no ciclo seguinte, afirma Guilherme Nolasco, presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). “Poderemos dobrar a capacidade entre 2026 e 2032. Esse cenário dependerá da criação de demanda, do ambiente de negócios, influenciado pelo câmbio e pelo custo do dinheiro, e de novas oportunidades como a produção de combustíveis para a aviação”, comenta.

Nolasco estima que, nos últimos dez anos, o setor investiu R$ 30 bilhões nessa matriz energética. Agora, espera-se que o plantio do milho para etanol avance em direção às regiões Norte e Nordeste. No Sul, a expectativa é de novas fronteiras agronômicas baseadas no trigo e no triticale.

Gráfico mostra evolução da produção de etanol no Brasil. Imagem Valor Econômico

Considerando todas as culturas, Brunetti trabalha com a perspectiva de instalação de 22 novos projetos de etanol, o que exigiria investimentos de R$ 20 bilhões em ativos fixos e mais R$ 9 bilhões em capital de giro, com incremento perto de 6 bilhões de litros em capacidade adicional.

A consolidação do etanol de segunda geração, porém, ainda permanece incerta diante das dificuldades de estabelecer uma rota tecnológica confiável. A expectativa agora está em uma nova classe de enzimas, mais eficientes na quebra da celulose, que favorecem a liberação de açúcares para a produção de etanol e de outros bioquímicos.

A descoberta foi do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), por meio de seu Laboratório Nacional de Biorrenováveis, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentos e Meio Ambiente da França, a Universidade Aix Marseille e a Universidade Técnica da Dinamarca.

“É uma mudança de paradigma que traz um ganho incremental duas vezes maior em relação à última revolução no setor, há 20 anos”, diz Mario Tyago Murakami, diretor do laboratório. Segundo ele, a enzima aumenta em mais de 20% a eficiência na conversão de biomassa em bioprodutos.

O CNPEM já fez o depósito da patente no Brasil e no exterior. “Estamos em conversas com todas as principais empresas do setor e estamos discutindo mais diretamente a possibilidade de licenciamento com duas empresas”, adianta o pesquisador. O trabalho foi publicado na Nature (Globo Rural, 31/3/25)

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