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Brasil, exemplo de energia limpa para o mundo

23.09.2019

Nos próximos anos, continuaremos a ter uma matriz energética diversificada e limpa.
uma discussão acalorada sobre a Amazônia. Os debates ganharam as páginas da imprensa internacional e, muitas vezes, perdeu-se a cortesia, inclusive entre chefes de Estado. A discussão sobre a Amazônia sempre traz consigo a questão ambiental, na medida em que sua preservação seria essencial para garantir as metas colocadas sobre o aquecimento do planeta. Durante essas semanas, o Brasil foi acusado de adotar políticas ambientais equivocadas. Mas, na realidade, o País é hoje um dos que mais colaboram para a redução da emissão de gases de efeito estufa, por meio de uma matriz energética das mais limpas do mundo, em razão da expressiva participação das chamadas energias renováveis.

Vamos aos números
A matriz energética brasileira tem forte presença das fontes renováveis, sobretudo a hidráulica e a biomassa, que representaram 45,3% da oferta total em 2018, e isso se amplia com o crescimento das energias eólica e solar. O desafio continua sendo reduzir a participação dos combustíveis fósseis, em particular o diesel, essencial para o setor de transporte de cargas e de passageiros. Nos últimos dez anos, a participação dos derivados de petróleo teve queda de 3,5 pontos porcentuais, evidenciando um maior incentivo do Brasil ao aumento das fontes renováveis na matriz. Agora, com o crescimento do gás natural oriundo do pré-sal, poderemos substituir o diesel em caminhões e navios por gás natural liquefeito, como vem ocorrendo na China e nos EUA.

A matriz energética mundial tem apenas 13,7% de participação das renováveis. No bloco da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), só 9,7% da matriz é renovável, enquanto nos demais países não membros essa participação é de 16,3%.

No Brasil, a geração de eletricidade tem a predominância da fonte hídrica (66,6%). A geração de eletricidade no País conta com 83,2% de fontes renováveis, ante 23,8% nos países da OCDE e 24,0% no restante do mundo.

No mercado internacional, potências como EUA e França chamam a atenção pela baixa participação de energia renovável em sua matriz. Nos EUA as fontes renováveis respondem por 11% da matriz, e nela o petróleo e o gás natural são as fontes de destaque (36% e 31%, respectivamente). Os combustíveis fósseis sempre foram predominantes na matriz norte-americana, mas nos últimos anos a produção de petróleo e de gás natural norte-americana está no topo do ranking mundial, impulsionada pela revolução do shale.

Na Europa, a Alemanha é o país cuja oferta de renováveis mais se aproxima da brasileira, com uma participação de 34,9%. Já na França as renováveis representam 9,4% da matriz, em que a predominância é de fonte nuclear (42%), seguida do petróleo (30%). A matriz elétrica francesa é majoritariamente nuclear (72%).

O carvão, uma das principais fontes de energia responsáveis pelo aquecimento do planeta, tem baixa participação na matriz brasileira (5%), enquanto na China tem 72%; na Alemanha, 35,4%; e nos EUA, 13%.

O aumento da participação das fontes de energia limpas é uma realidade nas matrizes de energia dos países. O Brasil é líder neste processo: somos responsáveis pela produção de 7,2% de toda a energia renovável mundial.

O crescimento da oferta de energia renovável veio para ficar, diante da necessidade de cuidar melhor do planeta. Entretanto, os caminhos da energia, tanto no nível da entrada de novas fontes limpas como de novas tecnologias de produção e uso, são tortuosos. Como mostra o exemplo da China, não é nada fácil associar no curto prazo aumento da participação das energias limpas com a necessidade de crescimento econômico e geração de empregos.

O Brasil tem uma das matrizes mais limpas em razão das hidrelétricas, da biomassa (etanol e biodiesel) e, agora, do crescimento das fontes eólica e solar. Nos próximos anos, o gás natural será abundante com a produção do pré-sal. Portanto, continuaremos a ter uma matriz diversificada e limpa, dando exemplo ao mundo de como cuidar do meio ambiente (Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).



Fonte: O Estado de S. Paulo