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Dificuldades do setor açucareiro da UE indicam baixa exportação

15.02.2019

Menos de dois anos depois de a União Europeia eliminar as cotas que limitavam a produção e a exportação de açúcar, a queda dos preços está forçando as empresas produtoras a fechar fábricas e reduzir a produção. Isso reduzirá as exportações de volta aos níveis anteriores à abertura do mercado, em 2017, segundo as produtoras de açúcar francesas Cristal Union e Tereos.

O setor açucareiro da Europa está com dificuldades para ganhar dinheiro depois que a remoção das cotas, aliada ao excesso de oferta na Ásia, levou a um excedente global recorde na última temporada. Algumas das maiores produtoras da UE emitiram alertas de lucros e a alemã Südzucker, a maior da região, já anunciou o fechamento de duas usinas como parte de uma reestruturação.

"Quando nós todos fizemos nossas análises do que poderíamos exportar, não previmos a explosão da produção na Índia", disse Alain Commissaire, CEO da cooperativa Cristal Union, em entrevista, na Conferência do Açúcar de Dubai. "Não vimos também que em uma única temporada a Tailândia produziria cerca de 5 milhões de toneladas a mais."

A Cristal Union prevê o fechamento de 10 a 20 fábricas europeias de açúcar em cinco anos porque cerca de um quinto das usinas do bloco não são competitivas. As usinas menores de regiões nas quais os rendimentos da beterraba são menos atrativos -- países nórdicos, Leste Europeu e sudeste da Europa -- provavelmente serão afetadas primeiro, disse o vice-presidente-executivo de gerenciamento de risco de mercado da Tereos, Alexandre Luneau, em entrevista, em Dubai.

Os futuros do açúcar branco negociados em Londres caíram cerca de 45 por cento em relação ao pico em setembro de 2016, um dos piores desempenhos entre as principais commodities no período.

Com a paralisação das fábricas, a Europa poderia enfrentar um período de produção menor por dois a quatro anos, segundo Commissaire, da Cristal Union. Outro fator crucial será a atratividade para que os agricultores optem por outras culturas.

"A reestruturação levará tempo e então a grande incógnita será o preço do trigo", disse Luneau. "Se houver preço bom para o trigo e para a colza até certo ponto, por dois anos seguidos, veremos menos plantio."

Ainda assim, as exportações europeias de açúcar podem acabar se recuperando à medida que a indústria se adaptar e o investimento oportunístico tornar as fábricas mais eficientes, segundo Commissaire, que prevê que as exportações retornarão a 3 milhões de toneladas em 2025. Mas Luneau, da Tereos, disse estar um pouco mais cauteloso.

A Europa precisa reduzir a capacidade para combater o excesso de oferta, disse Luneau, acrescentando que a Tereos estava preparada para o fim das cotas e não planeja fechar nenhuma instalação.

Indagado sobre uma possível consolidação deste setor em dificuldades na UE, ele disse: "Não há retorno atualmente no nível de preço atual. O fechamento é o primeiro cenário mais provável e é isso que começamos a escutar".


Fonte: Bloomberg