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Cuba investe em energia de biomassa

03.12.2018

Gerar eletricidade verde a partir de resíduos agrícolas, criar novos empregos e, ao mesmo tempo, combater um arbusto invasor - tudo soa até bom demais quando o empresário Wolfgang Krug fala sobre o projeto energético planejado em Cuba. Ele é diretor administrativo da empresa alemã Prolignis, sediada em Ingolstadt e especializada em desenvolvimento de projetos de energia renovável.

Juntamente com a companhia engenharia mecânica Lawi Engineering, de Kiel, norte da Alemanha, Krug fundou o consórcio Enercu, destinado a construir uma usina de biomassa neutra em CO2 na província cubana de Cienfuegos.

Cuba tem investido sistematicamente no setor de energia renovável nos últimos anos. Foram criados vários parques eólicos e usinas solares. Especialmente a indústria da cana-de-açúcar produz toneladas de resíduos orgânicos - biomassa que pode ser utilizada para fins energéticos.

"Já hoje em dia, eletricidade e vapor produzidos por bagaço de cana são aproveitados nas usinas de cana-de-açúcar", relata Krug. Bagaço é a massa fibrosa que permanece depois da moagem da cana. "Mas as velhas caldeiras só funcionam durante os seis meses da colheita. No período em que não há colheita, elas ficam paradas."

A Enercu quer mudar essa situação e ampliar o funcionamento da unidade para o ano todo. Além do bagaço da cana-de-açúcar, também deve ser aproveitado como combustível adicional o marabu. Esse arbusto espinhoso não é nativo do país, mas cobre quase 18% do território cubano e é considerado uma praga na ilha.

O excedente da eletricidade produzida deve ser destinado à rede pública. "Nossa usina pode fornecer eletricidade a algumas dezenas de milhares de residências, durante todo o ano", destaca Krug.

Isso é algo de que Cuba precisa com urgência. A geração de energia cubana se baseia principalmente nas importações de petróleo da Venezuela. Mas o fornecimento entrou em colapso devido à crise econômica venezuelana. Há anos, Cuba vem tentando, através de programas de racionamento, reduzir o consumo de energia e também sua dependência de combustíveis fósseis.

O governo cubano definiu a independência energética como uma de suas prioridades. Até 2030, o país quer aumentar a parcela de fontes renováveis em sua matriz energética %B