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Greenpeace diz que metas do RenovaBio são “fracas”

11.06.2018

O Greenpeace avalia que as metas de redução da intensidade de carbono da matriz dos transportes para os próximos dez anos, criadas dentro dos marcos do RenovaBio, são fracas e não vão ajudar o Brasil a cumprir com a meta de redução de emissões de gases de efeito estufa com a qual o país se comprometeu no Acordo de Paris, acertado na COP 21.

“Implementar uma política de incentivo aos biocombustíveis vai ajudar nesse primeiro momento. É importante ficar livre da dependência do petróleo. O que o Greenpeace avalia é que essa meta é fraca. A política não traz metas que vão ajudar o país a cumprir com a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) aprovada”, afirma o engenheiro Davi Martins, especialista do Greenpeace em Mobilidade Urbana.

Em 2015, o governo brasileiro comprometeu-se a reduzir em de 37% as emissões até 2025, tendo como ponto de partida as emissões de 2005, e em 43% as emissões até 2030.

As metas aprovadas pelo Conselho Nacional do Política Energética (CNPE) para o RenovaBio indicam que o país deverá reduzir a intensidade de carbono (quantidade de emissões por energia gerada) da matriz de transportes em 10,1% até 2030.

Martins acredita que políticas como a aprovada neste ano no município de São Paulo, que prevê o fim das emissões de gás carbônico pelos ônibus que realizam o transporte público na cidade em até 20 anos, têm metas mais claras para zerar as emissões.

Outro ponto que preocupa a organização ambientalista é o fato do RenovaBio não ter incluído mecanismos para prevenir o desmatamento da Amazônia e a expansão do agronegócio sobre o Cerrado. “Entendemos que é possível expandir a produção de biocombustíveis sem desmatar, mas falta deixar claro que o governo não vai dar incentivos a quem plantar em áreas sensíveis, como Amazônia e Cerrado”, opina.

O Greenpeace não participou do processo de consulta pública sobre as metas propostas pelo Comitê RenovaBio, que foram ratificadas na terça-feira pelo CNPE. Segundo Martins, a ONG preferiu não se posicionar porque não há dados sobre os impactos do agronegócio no uso do solo nos últimos anos. O Greenpeace promete apresentar um estudo próprio sobre o assunto ainda este ano.