Notícias

Voltar

Mecanização da cana avança com desenvolvimento tecnológico

15.05.2018

O processo de mecanização da colheita de cana-de-açúcar nas lavouras brasileiras é relativamente recente, tendo dominado apenas na segunda metade da década de 2000. Hoje, cerca de 97% da colheita é mecanizada na região Centro-Sul, o que significa em torno de 10 mil máquinas trabalhando nas plantações de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e norte do Paraná. O espaço para expandir esse processo é pequeno, mas, por outro lado, lavouras modernas significam mais e mais oportunidades para inovação e demanda por tecnologia avançada – e as novidades nesse sentido são muitas.

Os produtores de cana sabem que a peça central da mecanização é a colhedora – uma máquina complexa e projetada para muitas horas de trabalho pesado. E um dos aspectos mais importantes no bom funcionamento do veículo agrícola é o material rodante que o movimenta e percorre o canavial. Nas plantações por todo o Brasil existem máquinas em estágios variados de vida útil e com necessidades diferentes em termos de manutenção e reposição de peças para continuar circulando na plantação.

O maior custo no cuidado com esse maquinário é justamente o material rodante, que sofre todo tipo de desgaste dependendo do solo do canavial, dos mais arenosos aos argilosos, que diminuem a durabilidade desse sistema.

A manutenção desses componentes na lavoura se torna ainda mais crítica se pensarmos que o ciclo de troca das colhedoras de cana é relativamente curto – varia de seis a dez anos – e algumas plantações trocam de máquina a cada cinco anos. Para efeitos comparativos, culturas como soja e milho demandam troca de máquinas apenas a cada dez ou quinze anos.

De acordo com o diretor de marketing de produto da Case IH, Roberto Biasotto, a esteira é, de fato, um dos componentes que mais pesa na manutenção da máquina agrícola como um todo, e está particularmente sujeita às consequências das 3.500 horas que a colhedora trabalha ao longo de uma safra.

“Isso equivale a seis meses. A colheita de cana só é menos intensa que a de eucalipto, que dura os 365 dias do ano”, compara Biasotto, que acrescenta: “A esteira não acompanha toda a vida útil [da colhedora] e será trocada a cada 3 mil ou 4 mil horas de trabalho. Ela precisa ser robusta para durar nesse meio tempo”.

Nesse cenário, a thyssenkrupp, por meio da linha Berco, tem investido para ampliar seu portfólio de produtos para o setor sucroenergético. Durante a 25ª edição da Agrishow, a empresa vai apresentar seu novo modelo de esteira para colhedoras de cana-de-açúcar.

Recém-lançado no mercado brasileiro, o sistema é indicado para máquinas novas e para o reparo e manutenção, atendendo tanto a fabricantes originais de equipamentos (OEMs) quanto aos distribuidores de peças de reposição. “Aliada à confiança e tradição da marca Berco, a nova esteira da thyssenkrupp reúne em um único sistema o máximo de eficiência e confiabilidade”, afirma a companhia.

O grande diferencial técnico do novo sistema rodante, de acordo com a Berco, é a maior resistência à fadiga, o que representa melhor performance e disponibilidade do equipamento, gerando a redução de custos operacionais.

Ainda segundo a empresa, os ganhos em durabilidade e rendimento do novo modelo de esteira se devem a aperfeiçoamentos estruturais e de projeto. Além disso, os componentes sujeitos às cargas de tração e de torção foram reforçados, o que proporciona maior durabilidade ao conjunto.

Segundo a Berco, a esteira foi desenvolvida para ser versátil e eficiente, compatível com colhedoras das três maiores fabricantes do país – AGCO, CNH/Case IH e John Deere. Assim, o objetivo da companhia é fornecer material rodante mais avançado para as colhedoras recém-fabricadas e também para as mais antigas, revitalizando essas máquinas e reforçando a thyssenkrupp no mercado de peças de reposição.

Pesquisa e desenvolvimento
Conforme a empresa, uma das inovações técnicas mais marcantes na nova esteira é o reforço do sistema pino-bucha, que conecta os elos paralelos na esteira. Essas peças são as que sofrem mais ao longo dos nove meses de colheita e são as primeiras a sofrerem por conta de abrasão pelas partículas do solo, além do estresse causado por tração e rotação do veículo.

Mas o gerente de vendas da linha Berco da thyssenkrupp, Rissaldo Laurenti Jr., explica que esse não é o único diferencial: “Outra modificação inclui os elos da esteira, os quais foram redesenhados e agora têm maior altura efetiva, ou seja, maior altura entre pista e olhal do pino, o que evita desgastes e prolonga a vida útil dos elos”.

Manutenção gera informação
O diretor de marketing de produto da Case IH, Roberto Biasotto, aponta que o mercado de peças de reposição é “muito aquecido” por conta dos ciclos de vida mais curtos das máquinas. Além disso, ele recomenda que as colhedoras passem por revisão toda entressafra.

Por sua vez, quando se trata do cuidado com as colhedoras, Rissaldo Laurenti Jr. explica que os técnicos da Berco dão uma atenção muito especial à chamada primeira revisão. Os profissionais realizam medições e recomendam os reparos detalhados nas esteiras, que podem sofrer desgaste médio de 15% a 20% ao longo de uma safra.

De acordo com ele, a presença dos técnicos da Berco junto às colhedoras no canavial durante a primeira revisão é crucial: todo o processo de medição, avaliação e conserto da esteira gera relatórios minuciosos com dados sobre o estado de conservação do equipamento, os tipos de danos sofridos e as causas, além das medidas atualizadas de todas as peças da esteira.

Essas informações são enviadas de volta à Berco para a pesquisa e desenvolvimento de novas peças e sistemas rodantes, os quais serão adaptados para cada tipo de solo, seja ele arenoso ou argiloso. Foi a partir desses relatórios que foi desenvolvido o lançamento da Agrishow deste ano. Agora, o maquinário que já está operando nos canaviais também poderá contar com a nova esteira.