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Preço do etanol nas usinas de São Paulo cai 17,8% em abril

07.05.2018

Redução foi puxada pela maior oferta do combustível pela indústria

Os preços do etanol hidratado (que abastece os veículos) acumularam queda em abril nas usinas de São Paulo, segundo o Centro de Pesquisas em Economia Aplicada da Esalq/USP. Na média das semanas cheias do mês, o indicador do combustível recuou 17,8% sobre março, último mês da entressafra. Após a mudança na política de preços da Petrobras, a gasolina acumula alta de 19,2% em 12 meses, índice acima do registrado pelo etanol no período, de 12,9%.

As quedas foram significativas em São Paulo, sobretudo na primeira quinzena de abril, com a pressão vinda da maior oferta. É que muitas usinas do estado precisaram vender o produto rapidamente após o início da moagem, com o objetivo de fazer caixa.

“Observamos um começo de safra avançado para várias unidades do Centro-Sul, do estado de São Paulo mais especificamente”, pontua Ivelise Bragato, pesquisadora na área de etanol do Cepea. “Pesou neste cenário a necessidade financeira da indústria em vender o etanol. Seja pelo longo período em que ficaram sem produção, e com menor receita, ou pela necessidade de sanar perdas de começo de safra”.

A queda no preço do etanol nas usinas, porém, ainda demora a chegar às bombas dos postos de combustíveis, segundo especialistas.

“Considerando outros levantamentos, é necessário cerca de um mês e meio para que o consumidor perceber redução no preço”, diz Renata Marconato, analista da MB Agro.

Para Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, o preço do etanol para o varejo, porém, será menor do que em patamares anteriores, uma vez que a alta da gasolina pode elevá-lo num futuro breve.

“A tendência é que o preço do etanol caia para o consumidor, mas menos do que já observamos em anos passados”, avalia Leal. “No cenário atual, suponho que o preço da gasolina pode puxar o etanol para cima, diferentemente do que avaliamos no passado, quando o etanol puxou o preço da gasolina para baixo”.

Em relação à continuidade do cenário de queda dos preços nas indústrias, os analistas dizem que é difícil fazer projeções sobre o tema. Entretanto, é esperada uma safra de cana mais voltada à produção de combustível, o que pode aumentar a produção em 2018 frente ao ano anterior.

“Pelas estimativas que as consultorias têm divulgado, devemos ter uma safra com mais cana destinada à produção de etanol. Mas o consumo nas bombas também vai crescer. Em um possível balanço, a produção de etanol deve ser maior, na comparação com o ano passado”, diz Ivelise.

Previsão otimista
O diretor da corretora de etanol SCA, Martinho Ono, informou à agência Reuters que o consumo de etanol hidratado no Brasil pode crescer mais de 20% em maio deste ano, em relação a meses anteriores.

Na avaliação de Ono, o combustível terá atratividade forte em 2018, em meio a um cenário de maior oferta e com a gasolina registrando cotações ainda elevadas, dados os seguidos reajustes da Petrobras.

As expectativas de Ono são bastante otimistas. Segundo ele, 75% da frota nacional de veículos poderão contar, ainda neste ano, com os preços do etanol cerca de R$ 1 abaixo dos da gasolina nos postos de combustíveis.


Fonte: O Globo