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Setor de cana avalia que maior desafio é ampliar produtividade da cultura

16.03.2018

O maior desafio aos produtores de cana-de-açúcar é recuperar a produtividade da cultura. Essa foi a avaliação de representantes do setor reunidos nesta quinta-feira, 15, em simpósio realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Ribeirão Preto (SP).

André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, avaliou que a produtividade da cultura começou a recuar após o boom de investimentos no setor, entre 2003 e 2010, após o advento dos veículos flex fuel. A disparada na produção de etanol trouxe um avanço desordenado no cultivo das lavouras.

“O grande erro do setor de 2005 a 2010 foi a produtividade agrícola. Muita gente ganhava bônus pelo que plantava em vez de ganhar pelo que colhia. Por conta disso, caiu a produtividade também”, disse Rocha.

Ele citou casos de lavouras em Goiás, nas quais a produtividade da cana foi de apenas 48 toneladas por hectare, em comparação com índices acima de 100 toneladas por hectare em São Paulo e acima de 80 toneladas por hectare na média do Centro-Sul do País. “Começamos a avançar muito com as primeiras variedades adaptadas de cana para as regiões novas. Hoje a produtividade chega a 81 toneladas por hectare naquelas lavouras”, explicou.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e sócio da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, avaliou que a recuperação da produtividade agrícola é essencial para o aumento da produção. “Hoje temos de 80 milhões a 100 milhões de toneladas de cana ‘enterradas’, ou uma produção do Nordeste (do Brasil) inteiro. Só a melhoria da produtividade pode tirá-las da terra”, comparou Carvalho.