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Preços de açúcar e suco reagem, mas seguem abaixo de 2016

05.12.2017

Os preços de açúcar, café, suco de laranja, algodão, soja e milho, as principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil, continuam a oscilar em torno de patamares mais baixos que no ano passado no mercado internacional. Como o câmbio não tem compensado essa erosão, já que o real permanece firme em relação ao dólar, a tendência pesa sobre as margens de lucro dos produtores dessas culturas no país, com reflexos negativos sobre expansão de plantios e investimentos em tecnologias.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega mostram que, entre as "soft commodities" referenciadas na bolsa de Nova York, as maiores erosões continuam a ser observadas nos mercados de açúcar, café e suco de laranja, que encerraram novembro novamente com recuos superiores a 20% em relação ao mesmo mês de 2016. Há um ano, as cotações ainda eram sustentadas por quebras de safra no Centro-Sul brasileiro, por causa de problemas climáticos provocados pelo El Niño. O país lidera as exportações globais dos três produtos.

Mesmo com altas superiores a 4% em relação a outubro, as médias de açúcar e suco encerraram novembro com baixas de 26,33% e 24,3% na comparação com as médias de novembro do ano passado. Mas, no que depender dos fundamentos de oferta e demanda, a reação poderá ter continuidade, o que já levou os fundos de investimentos que atuam em Nova York a ampliar suas apostas em novas valorizações. No caso do açúcar, em virtude da alta dos preços do petróleo, que motiva as usinas do Brasil a produzirem mais etanol; no do suco, em razão do encolhimento da oferta dos Estados Unidos.

Já o café viu sua curva descendente, iniciada em outubro do ano passado, se aprofundar. Conforme o Valor Data, o valor médio dos contratos de segunda posição de entrega da commodity fechou novembro com baixas de 0,75% sobre o mês anterior e de 21,49% na comparação com novembro de 2016. Nesse mercado, o alçapão continua aberto, e os fundos aumentaram suas apostas em novas quedas de preços. A pressão vem das perspectivas para a próxima safra brasileira. Mesmo que não alcance todo o seu potencial produtivo, por causa de adversidades climáticas, não há no horizonte riscos de quebras fortes e a colheita vai aumentar.

Na bolsa de Chicago, soja e milho oscilaram pouco em novembro, como tem sido a tônica nos últimos meses. A média das cotações da oleaginosa fechou o mês com variação positiva de 0,87% em relação a outubro, mas com baixa de 1,71% na comparação com novembro do ano passado. Já os contratos de segunda posição de entrega do cereal apresentaram queda de 1,89% sobre outubro, mas alta anual de 0,65%.

Tem sido assim em 2017. Tanto que, depois de pequenos altos e baixos, os patamares de negociação não mudaram. Segundo os movimentos dos fundos na semana encerrada no dia 21 de novembro, captados pela Comissão de Negociação de Futuros de commodities (CFTC, na sigla em inglês), as apostas na valorização da soja diminuíram, mas a pressão de baixa do milho arrefeceu. Para a soja, pesa o bom desenvolvimento da safra brasileira depois do atraso do plantio na fase inicial dos trabalhos, em setembro. Para o milho, o fator "altista" é a valorização do petróleo, que estimula o aumento da produção de etanol. Nos Estados Unidos, o biocombustível é produzido principalmente a partir do cereal.