Notícias

Voltar

Copel quer gerar energia a partir da biomassa

23.11.2017

Setor tem interesse e é o melhor estruturado. Mas viabilidade esbarra nas dificuldades de conexão à rede de transmissão

Uma equipe de profissionais da área de desenvolvimento de novos negócios da Copel (Companhia Paranaense de Energia) esteve reunida com diretores e técnicos das usinas sucroenergéticas do Estado, no início de outubro, na sede da Alcopar, em Maringá, para apresentar o planejamento estratégico da empresa, para o Paraná, na área de biomassa.

“Nosso objetivo é construir juntos um plano, colhendo e respaldando informações junto aos diversos setores interessados na produção de energia a partir da biomassa”, afirmou Gustavo Ortigara da Diretoria de Desenvolvimento de Negócios da Copel, empresa que sempre priorizou a produção de energia hidrelétrica. A maior parte da energia produzida pela Copel, 95% ou mais, tem sua matriz energética em hidrelétricas, percentual que Brasil é de 65%.

A ideia é sair da dependência da energia produzida a partir do aproveitamento do potencial hidráulico do represamento de rios. Hoje, com as restrições ambientais, que defendem as usinas a fio de água, está difícil viabilizar a construção de novas unidades. A Copel tem projetos em desenvolvimento com pequenas usinas hidrelétricas, unidades a carvão, eólicas e há estudos com energia solar.

Mas, o problema, citou Ortigara, é que além das restrições ambientais, estas são produções intermitentes de energia. Por isso, visando garantir uma maior segurança do Sistema Interligado Nacional SIN, e aproveitando o potencial do Paraná para a produção de biomassa, há o interesse pela energia da biomassa, ecologicamente correta, renovável, descentralizada, que está disponível e é distribuída por todo o Estado, em locais próximos aos grandes centros consumidores. “A biomassa é o futuro”, disse Ortigara, que apresentou o projeto juntamente com Hugo Seidi Ridão e Bruno Martins, também da Copel.

“Pela forte presença de diretores das usinas na reunião vê-se a boa vontade e o intenção do setor de investir, de participar do projeto, que vem ao encontro dos interesses das usinas”, comentou Miguel Tranin. “Mas é preciso fazer o dever de casa bem feito”, ressaltou.

“Precisamos ver se Copel tem realmente interesse ou não”, acrescentou João Batista Meneguetti, diretor da Usina Santa Terezinha, lembrando o projeto desenvolvido pela Alcopar e Copel em 2015, mas que não teve continuidade. “Se a Copel facilitar a conexão às linhas de transmissão, dá viabilidade a vários projetos”, disse.

Julio Meneguetti, outro diretor da Santa Terezinha, ressaltou que o entrave maior é a necessidade de reforma e ampliação das linhas de transmissão. “O projeto é bonito e os produtores de energia têm interesse, mas terá linhas de transmissão suficientes?”, questionou. “Há várias usinas que têm oportunidade de exportar mais energia sem grandes investimentos. Só falta conexão”, complementou.

Outra dificuldade, citou Tranin, são as caldeiras antigas existentes em muitas usinas, que gastam muita biomassa e geram menos energia. “É necessário modernização, retrofite das indústrias. Mesmo assim, o setor é o mais preparado para gerar energia da biomassa. O que tem travado é o alto custo da interligação das usinas à rede”, afirmou.

Serão criados grupos de trabalho

Os planos da Copel são de fazer o papel de indução de seis grandes grupos produtores das mais diversas fontes de biomassa, visando seu aproveitamento para viabilizar projetos de geração de energia renovável no Paraná. Com isso seria possível ampliar a participação das fontes de energia renovável na matriz energética, ampliar o mercado de geração distribuída e ajudar a cumprir os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris COP 21, para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

A equipe da Copel tem corrido o Estado apresentando o projeto para entidades envolvidas. “De todos os setores o mais estruturado é o da cana”, disse Gustavo Ortigara, da Copel. Das 25 unidades industriais do setor em funcionamento, só sete unidades cogeram e exportam o excedente de energia. Há um potencial de 1.000 MW no Paraná, considerando, de forma conservadora, os volumes de bagaço, vinhaça e palha de cana, citou.

Todas as fontes de biomassa – resíduos da cana-de-açúcar, florestal, de resíduos sólidos urbanos e industriais (poda, varrição e jardinagem), biogás da agropecuária e da agroindústria (resíduos da criação de suínos, aves, bovinos, fecularias, cervejarias, cítricos, laticínios), biogás da estação de tratamento de esgoto e resíduos da agricultura - somariam o potencial de 7.230 MW.

O objetivo desse trabalho é firmar um termo de cooperação e criar grupos de trabalho para desenvolver projetos de cogeração de energia. E a partir daí fazer um inventário mais amplo da biomassa no Estado de cada fonte e elaborar os modelos de negócio e as políticas públicas para viabilizar o empreendimento.