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Escassez de trabalhadores acelera a colheita mecanizada de cana

25.07.2017

Setor está capacitando a mão de obra para absorvê-la em outros setores das indústrias

A redução da oferta de trabalhadores, observada nos últimos anos em praticamente todas as atividades rurais no Paraná, impulsionou a colheita mecanizada de cana-de-açúcar.

Segundo a Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), que congrega 26 indústrias, o percentual médio atual de lavouras colhidas com máquinas varia de 60 a 65%. Em regiões planas, mais propícias a operação dos equipamentos, o índice chega a 80%. Já em áreas acidentadas, o emprego de máquinas ainda enfrenta limitações.

De acordo com a entidade, a cana está presente na economia de cerca de 140 municípios paranaenses, havendo a maior concentração de lavouras na região de Umuarama, noroeste do estado. No total, são 645 mil hectares de cana no Paraná, dos quais cerca de 415 mil mecanizáveis. Somando o efetivo empregado no campo e nas indústrias, o segmento responde por aproximadamente 40 mil postos de trabalho diretos.

ATÉ DO NORDESTE - Com a diminuição da mão de obra, a única solução para as empresas tem sido a mecanização, explica o presidente da Alcopar, Miguel Rubens Tranin. “As empresas se obrigam a recorrer a cidades cada vez mais distantes, no seu entorno, para conseguir a quantidade de trabalhadores que necessitam e, para algumas, se faz necessário continuar contratando mão de obra trazida do Nordeste brasileiro, o que acaba ficando muito oneroso e insustentável”, afirma.

CAPACITAÇÃO - Tranin acrescenta que diante da diminuição da mão de obra e o processo irreversível de mecanização, o setor passou a capacitar essa mão de obra para absorvê-la tanto na operação de máquinas quanto em outras atividades, no interior das indústrias. Por outro lado, ressalta o presidente, mesmo que não houvesse a falta de trabalhadores, o setor determinou-se a investir na capacitação desse pessoal, preparando-o para aproveitar oportunidades que surgem nas empresas “e possibilitar que eles e suas famílias busquem melhor qualidade de vida”. Como reflexo disso, atualmente já é comum encontrar ex-cortadores trabalhando – e construindo uma carreira profissional – nos mais diferentes setores das indústrias bioenergéticas.


Fim gradativo da despalha
inviabiliza corte manual

O cortador de cana é uma categoria com data para expirar no Paraná. O decreto estadual 10068/14 editado em 6 de fevereiro de 2014, estabeleceu prazos e procedimentos para a adequação ambiental de usinas, no qual, entre outros itens, foi fixado um cronograma para o término gradativo da queima controlada da cana. A chamada despalha - a eliminação, pelo fogo, da quantidade natural de palha que reveste as plantas – é praticada para facilitar o corte manual.

Desde o final de 2015, de acordo com o decreto, 20% dos canaviais já não podem ser queimados e, até 31 de dezembro de 2020, o percentual deverá subir para 60%, completando ao término de 2025 a totalidade da área mecanizável plantada com a lavoura e, em 2030, a não-mecanizável.