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Um ano de bons resultados

13.06.2017

Para Eduardo Lambiasi, quem se preparou, com controle de custos, eficiência e diversificação, pode usufruir de mercado mais favorável, mas, não será uma virada

A expectativa é de mais um ano com bons resultados para as empresas do setor sucroenergético, com o preço do açúcar se mantendo em patamares elevados ao longo do ano, afirma Eduardo Lambiasi diretor Corporativo da Usina Jacarezinho, com sede no município com o mesmo nome.

“Sem dúvida, a melhora dos preços do açúcar vai permitir uma melhor remuneração pelo produto e a recuperação do setor”, diz, citando que as empresas estão ajustando o mix de produção e priorizando o açúcar, aproveitando os preços. “Muitas das empresas inclusive já fixaram uma parcela importante da produção em patamares bem interessantes”.

Mas isso não significará exatamente uma “virada”. “Parece-me um termo um tanto forte. Acredito que as empresas que se prepararam, com diversificação, controle de custos e eficiência em seus processos, possam usufruir melhor de um mercado mais favorável”, avalia.

Para Lambiasi, a crise oferece escolhas, cujo resultado pode ser muito interessante. “Mais do que nunca é preciso enxugar custos de forma precisa e que não sacrifique a empresa no longo prazo, bem como tomar as decisões de investimento de maneira cirúrgica e racional, cuja percepção de retorno esteja claramente presente”, orienta.

Segundo o diretor Corporativo da Jacarezinho, há evidentemente incertezas com relação ao clima e a produtividade dos canaviais, algo que ficará mais claro nos próximos meses. “Não imaginamos, entretanto, um 2017 com um volume de moagem muito diferente de 2016. A tendência é de ser menor, porém, com um mix um pouco mais açucareiro, à medida que algumas usinas fizeram investimento para incremento da capacidade da produção de açúcar”.

Um ponto importante para Lambiasi é que com a melhoria dos resultados da safra atual e com a maior seletividade dos investimentos, as empresas estão diminuindo o endividamento. “Aparentemente, as empresas que estavam em condições mais delicadas e que puderem sobreviver nesses últimos anos com cenário tão desfavorável, encontraram solução para equacionar o endividamento”, complementa.

O temor é que o preço pago pelo açúcar no mercado internacional suba demais, levando ao aumento exagerado da produção no mundo e a um novo ciclo de baixa. “É perigoso que o preço do açúcar negociado na Bolsa de Nova Iorque fique muito descolado de US$ 0,20/libra peso, pois estimula produtores a produzir mais, gerando pressão de oferta. Alguns países podem reagir rapidamente, como a União Europeia, que com o fim das quotas devem naturalmente produzir mais. Entendo que o comportamento ideal de preços poderia ser um pouco abaixo de US$ 0,20. Com uma combinação de câmbio mais favorável aqui no Brasil, quem sabe algo como R$ 3,50”, calcula.

Economia pode surpreender

Quanto à economia brasileira, Eduardo Lambiasi diretor Corporativo da Usina Jacarezinho, acredita que esta pode surpreender em 2017, na medida em que frutifiquem as decisões que estão sendo tomadas, tanto no âmbito da microeconomia quanto na macroeconomia.

“Entendemos que o atual governo, apesar de toda incerteza política que ainda paira no País, já deu passos importantes no sentido de racionalizar a utilização de recursos públicos, assim como no sentido de um convívio mais racional e eficiente com a iniciativa privada”, afirma.

Outro aspecto importante é a boa notícia da inflação contida, que, na opinião de Lambiasi, deve impulsionar o ritmo da queda da taxa de juros da SELIC, cujo patamar de dois dígitos exerce papel deletério para a economia e contas públicas.

Quanto à economia mundial, diz, o crescimento não deve superar os 3%. O contexto é que precisa ser ainda interpretado, pois existem muitas variáveis que podem impactar cenário econômico, notadamente o surgimento de governos populistas conservadores como nos EUA; eleições importantes que acontecerão na Europa, com destaque para França e Alemanha, com possibilidade, principalmente na França,da eleição de um governo conservador. “É preciso compreender o impacto desse movimento político na globalização, no fluxo internacional de comércio”.

PERSPECTIVAS

Previsões para o etanol são complicadas

A estrutura do RenovaBio e os estímulos para investimento em bioeletricidade podem estimular o investimento no setor

Prever como o mercado de etanol anidro e hidratado vai se comportar em 2017 é uma questão complicada para Eduardo Lambiasi, diretor Corporativo da Usina Jacarezinho. “É necessário saber se a Petrobrás vai manter de forma clara a política de alinhamento com os preços internacionais, que tem como componentes duas variáveis fundamentais, câmbio e preço do petróleo”, diz.

Se o preço do petróleo permanecer no patamar atual, entre US$ 50 e US$ 60 e o câmbio não apresentar variações significativas, “que é a nossa previsão, penso que teremos um ano com preços interessantes para o etanol, mesmo com um consumo menor que em 2016”.

Há, entretanto, uma série de questões relacionadas ao governo, que envolve tributos principalmente, e que podem impactar esse mercado, avalia o diretor. Da mesma forma, comenta que o ritmo e o crescimento dos investimentos do setor, visando ampliar a produção de etanol, vão depender muito da definição do papel dos biocombustíveis no Brasil.

A estrutura do RenovaBio, que pretende dar previsibilidade à matriz energética brasileira, e os estímulos para investimento em bioeletricidade, para citar dois pontos importantes, podem estimular o investimento no setor, avalia. “Cabe ressaltar que o País, com o ajuste que o BNDES sofreu, continuará a ter um grande desafio para disponibilizar fundos de longo prazo para fomentar esses investimentos. Esse é também um ponto de atenção”.

Na opinião do diretor, é necessário diferenciar a bioenergia, pelo grande apelo que tem por ser limpa e por poder ser gerada próxima ao mercado consumidor. “Trata-se normalmente de investimentos muito grandes, de retorno mais longos, algo que aumenta muito a incerteza dos donos do capital”.

Investimentos

“Entendemos que pode haver algum tipo de acomodação de empresas maiores comprando menores, porém muito longe do que fora observado há alguns anos”, avalia Eduardo Lambiasi, diretor Corporativo da Usina Jacarezinho.

Mas, para que isso aconteça, seja a aquisição por empresas estrangeiras ou locais, “ainda é necessária uma visão melhor do que se espera no longo prazo, principalmente do papel dos biocombustíveis no Brasil, algo que o RenovaBio, ainda em fase inicial, pode ajudar bastante”, complementa.

Investir em novos produtos pode ser uma saída. “Há um mundo de oportunidades para o aproveitamento máximo da energia da cana”, diz. Para o diretor, o importante é a análise cuidadosa para saber qual é a melhor alternativa para cada empresa, já que algumas são excludentes.

O bagaço, por exemplo, pode gerar energia a partir da queima na caldeira, da biodigestão, como pode também ser peletizado e exportado como tal. A vinhaça pode ser biodigerida e gerar energia ou ser concentrada, aumentando assim sua eficiência como fertilizante. “O grande desafio é investir em novos produtos, porém escolher bem o que é mais rentável e que cabe no ‘bolso’ de cada empresa”, finaliza.