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Alcopar revê expectativa de produção

31.05.2017

A nova previsão é de que serão moídas nesta safra 36,763 milhões de toneladas, 9% a menos do que o previsto inicialmente

No final de maio, a Alcopar, associação paranaense que congrega as 25 usinas sucroenergéticas em funcionamento no Estado, reviu a previsão de moagem de cana-de-açúcar na safra 2017/18. No início do ano, a primeira estimativa era de que seriam produzidos 40,268 milhões de toneladas de cana, apenas 0,4% abaixo do volume esmagado no período 2016/17, que foi de 40,435 milhões de toneladas.

Segundo o presidente da Alcopar, Miguel Tranin, a nova previsão é de que serão moídas nesta safra 36,763 milhões de toneladas, 9% a menos do que o previsto inicialmente. Isso se deve a queda acentuada na produtividade média, devido à falta de renovação dos canaviais nos últimos anos e problemas climáticos. Esta passou de 68,62 toneladas de cana por hectare no período anterior para uma expectativa média de 64,54 toneladas por hectare, uma média de 5,9% a menos.

Também houve uma redução na área de cana destinada à moagem. Na safra passada foram colhidos 587.188 hectares de cana e destinados à indústria sucroenergética. Para esta safra, estima-se que deve ser esmagada cana proveniente de 569.655 hectares, 3% a menos. “Isso se deve a destinação de uma área maior para reforma do canavial”, explica Tranin. No ano passado o percentual médio de renovação foi de 7%, bem abaixo do ideal, que é de 20%. Para este ano, a expectativa é que este percentual feche em 9%.

Com isso, destaca o presidente da Alcopar, foram revistas também as previsões de produção de açúcar e etanol. Na safra passada foram industrializados 3.059.860 toneladas de açúcar e esperava-se, inicialmente, processar 3.042.499 toneladas, apenas 0,6% a menos. A queda, entretanto, deve ser bem maior, 6,9%, fechando com 2.848.181 toneladas. Mais açucareiro, como tradicionalmente é no Paraná, o mix de produção será de 59,46% para o açúcar e 40,54% para o etanol.

Em relação ao processamento de etanol, a queda no volume previsto foi maior, 13,2%, passando de 1,376 bilhão de litros de etanol total para 1,176 bilhão de litros. Inicialmente, a estimativa era de uma alta na produção de 1,6% sobre o total obtido no ano passado, que foi de 1,354 bilhão de litros.

A redução maior será na industrialização de etanol hidratado, 17,7%, esperando-se um volume de 630,540 milhões de litros contra 766,446 milhões no ano passado. Quanto ao etanol anidro, espera-se uma produção de 545,794 milhões de litros, 7,2% a menos que os 588,105 milhões de litros produzidos na safra 2016/17.

Cana menos doce

Outro ponto que deve influenciar no resultado final é a previsão de menor produção de ATR (Açúcar Total Recuperável) por tonelada de cana. No período anterior, devido às chuvas na colheita, foram obtidos 136,83 quilos de ATR por tonelada de cana. Para esta safra, a previsão inicial era de que fecharia em 137,87 quilos de ATR, 0,8% a mais. Mas, a nova estimativa reduziu para 136,40 quilos de ATR, 0,5% a menos.

Isso apesar de, contrariando a tradição de sempre começar mais cedo a colheita, as usinas paranaenses, nesta safra, iniciaram com cerca de 20 dias de atraso, no final de fevereiro. E a maior parte das unidades só iniciou o processamento a partir de abril. Isso por causa das chuvas, no período, que dificultaram a colheita e diminuíram a concentração de açúcar, estimulando o desenvolvimento vegetativo.

Também, não tinha sobrado cana no campo de um ano para o outro. Normalmente as usinas utilizam as canas bisadas para iniciar a colheita, dando um tempo maior para as canas precoces amadurecerem mais.

Havia, ainda, a necessidade de as usinas corrigirem o ciclo do canavial, comenta Miguel Tranin. Devido às geadas e às irregularidades climáticas, cortou-se cana fora da idade ideal, acentuado a redução na produtividade, já significativa devido ao baixo índice de renovação da lavoura.

Já no ano passado, em março, grande parte das usinas estava operando e a colheita ganhou ritmo rapidamente, por conta da disponibilidade de matéria prima (cana bisada) e clima favorável.