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Paraná poderá plantar cana o ano todo

15.05.2017

Pesquisador da Embrapa apresentou resultados de trabalho para validação de estudos sobre novo zoneamento agrícola de risco climático em cana

Pesquisadores da Embrapa estiveram reunidos com as equipes técnicas das usinas paranaenses, professores e pesquisadores da UFPR, no último dia 7 de abril, na sede da Alcopar, em Maringá, para discutir a revisão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático. O estudo técnico feito em todo o Brasil foi solicitado à Embrapa pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Concluído o trabalho, a Embrapa vem se reunindo com representantes do setor em todos os estados canavieiros para validar os dados.

Segundo o pesquisador da Embrapa responsável técnico pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático da Cana-de-Açúcar, Santiago Vianna Cuadra, o Paraná deve ampliar sua janela de plantio e o número de municípios onde poderá ser feito o plantio de cana-de-açúcar, com base no novo zoneamento. Ele ressaltou, entretanto, que o zoneamento ainda deve receber o aval do Mapa e só passa a valer a partir da publicação da portaria do ministério, que deve ocorrer ainda até o final do primeiro semestre desse ano.

Pela portaria atual, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático só permite o plantio de cana, com a participação de políticas públicas federais - financiamento e seguro agrícola oficial -, por um período determinado.
O zoneamento é uma ferramenta de política agrícola e gestão de riscos na agricultura que tem como objetivo minimizar os riscos relacionados aos fenômenos climáticos extremos. O estudo permite a cada município identificar a melhor época de semeadura/plantio das culturas nos diferentes tipos de solo e ciclos de cultivares, o que contribui para redução de perdas e racionalização do crédito agrícola.

“De certa forma, é um instrumento indireto de transferência de tecnologia, com grande potencial de expansão, se incluir aspectos regionalizados e outros sistemas de produção. Contribui para o aumento da produtividade agrícola”, afirmou Cuadra. Para fazer jus ao Proagro, ao Proagro Mais e à subvenção federal ao prêmio do seguro rural, o produtor deve observar as recomendações desse pacote tecnológico.


Restrição é térmica

Em todo o Brasil as perdas em cana-de-açúcar estão associadas principalmente à deficiência hídrica. No Paraná, entretanto, a maior limitação é térmica. As baixas temperaturas e riscos de geadas é que restringem a área de plantio.

Para delimitação das áreas aptas para o cultivo de cana-de-açúcar em condições de baixo risco, foram consideradas as variáveis de temperatura média do ar, deficiência hídrica anual, o índice de satisfação de necessidade de água (ISNA) e o risco de ocorrência de geadas, sendo adotados os seguintes critérios: ISNA igual ou maior que 0,65 na fase I e 0,50 na fase III. Ocorrência de geada forte (-2ºC) < 20% durante todo o ciclo, e ocorrência de geada (0ºC) < 20% durante a fase de pós-perfilhamento.