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Alimentação não é a única causa da obesidade

04.05.2017

Problema pode ser provocado por fatores ambientais e genéticos, levando a pessoa a engordar mesmo quando o consumo de calorias não é exagerado

Ao falar em obesidade, a maioria das pessoas relaciona a doença ao excesso na alimentação e ao sedentarismo. Mas, o fator comportamental não é o único a resultar na obesidade. As causas também podem ser originadas de fatores genéticos e ambientais.

Segundo Marcio Mancini, endocrinologista e responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), entre 40% e 60% das pessoas obesas têm a doença por origem genética, engordando mesmo quando o consumo de calorias não é exagerado.

Há publicações científicas que apresentam diversos aspectos ambientais que podem favorecer o desenvolvimento da doença. A exposição à poluição e a outros produtos químicos podem alterar o metabolismo e a produção hormonal, influenciando no ganho de peso. O uso de tecnologias também facilitou as atividades cotidianas, substituindo a força muscular e fazendo com que as pessoas se movimentem menos.

Outro fator que influencia é o sono. Nas últimas décadas, tem se dormindo cada vez menos, reduzindo a produção de melatonina, hormônio que regula o metabolismo. Ainda, antigamente, se gastava muita energia para equilibrar a temperatura do corpo. Com o uso de ar condicionado e aquecedores, o corpo não precisa mais se adaptar, proporcionando menor gasto de energia.

Mas, especialistas apontam que a má alimentação e a falta de exercícios físicos ainda são as principais causas da obesidade. “Apenas 35% da população brasileira pratica esportes, o que é pouco”, explica Mancini. Os exercícios devem estar aliados à alimentação equilibrada. Nenhum alimento deve ser excluído ou “vilanizado”, inclusive o açúcar.

“O consumo isolado do ingrediente não pode ser apontado como causa da obesidade, diabetes ou outras doenças. Os açúcares têm uma longa história de utilização segura na alimentação. Desde 1997, cinco grandes organizações científicas e de saúde concluíram que o açúcar isoladamente não está associado às causas de doenças crônicas”, diz o endocrinologista, ressaltando que para uma vida saudável é preciso que todos os aspectos estejam em equilíbrio, da mente ao corpo.