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Açúcar: Dúvidas persistem

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Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY encerrou a sexta-feira com o contrato julho/22, que expira na próxima quinta-feira, negociado a 18.35 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 25 pontos na semana (5.50 dólares por tonelada), seguido dos demais meses, todos no vermelho, com quedas entre 13 e 46 pontos (de 3 a 10 dólares por tonelada). Tudo indica que a entrega física de açúcar em NY na expiração de julho/22 será novamente um não-evento.

Junho está sendo um mês tenebroso para as commodities. Algodão já caiu 30%, gás natural 23%, óleo de soja 14%, milho e soja 9%, petróleo WTI 6.5%. A boa notícia é que essa queda das principais commodities pode dar uma trégua na inflação mundial além de tirar a pressão sobre as taxas de juros. Os mercados bem que gostariam de poder respirar novamente menos tensos. Será? Acenda uma vela para o seu anjo da guarda e vamos ver no que dá.

Os fundos não-indexados reduziram ainda mais a posição comprada, segundo os números publicados pelo CFTC (Commodity Futures Trading Commission), a agência americana reguladora do mercado de commodities, indicando uma liquidação de 11,586 lotes. Pela posição de terça-feira passada, que serve como base para o COT (Commitment of Traders), o relatório dos comitentes, os fundos estavam comprados apenas 59,575 lotes.

Em duas semanas os fundos especulativos liquidaram mais de 60,000 lotes (equivalentes a três milhões de toneladas de açúcar). Imaginem o estrago que essa liquidação faria no mercado de NY caso as usinas não estivessem bem fixadas. De qualquer forma, com essa liquidação maciça dos fundos é razoável pensar que estamos perto do suporte de preços? Ou vamos quebrar os 18.00 centavos de dólar por libra-peso no vencimento outubro/22? Depende ainda de muitos fatores.

Nesta sexta-feira os impostos federais (PIS/Cofins) deixaram de ser cobrados na gasolina e no etanol enquanto a cobrança do ICMS de ambos, respeitada a limitação de 17%, ainda depende da publicação no Diário Oficial de cada estado. A complexidade das mudanças atinge os sistemas de dados dos estados que demandam correção em seus programas para aceitação da emissão das notas fiscais incorporando as alterações tributárias. Uma audiência conciliatória entre os estados e a União foi convocada pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes, na próxima terça-feira, para tentar chegarem num acordo.

O mercado de hidratado ficou restrito e nominal enquanto todo mundo tenta assimilar as mudanças nas regras dos impostos e faz contas para encontrar o preço de equilíbrio. Pela B3, o hidratado negocia com descontos de 150-180 pontos em relação ao açúcar em NY. Se incorporarmos o valor CBio, esse desconto cai para 75 pontos.

Pairam dúvidas sobre as cabeças pensantes do setor produtivo acerca de como será o funcionamento do mercado de etanol a partir de 1º de janeiro quando o imposto federal volta a fazer parte da formação de preço. O fato é que esse imbróglio provocado por um presidente desesperado em conseguir chegar ao segundo turno das eleições de outubro, perseguindo a Petrobras, vai repercutir enormemente na visão do investidor estrangeiro quanto à insegurança jurídica que é investir no Brasil.

O setor pode se preparar para pagar a conta salgada de uma eventual mudança na formação de preço dos combustíveis da Petrobras a ser emplacada pelos políticos da base do presidente da república e, também, na alteração na lei das estatais permitindo a volta de indicações políticas para ocupação de cargos de direção na estatal do petróleo.

A cleptocracia brasileira continua de vento em popa. A Republica das Bananas em que o Brasil está se transformando causa inveja a países como o Sudão, Síria, Somália, Venezuela e Coreia do Norte. Segundo a ONG Transparência Internacional, o Brasil é mais corrupto que Tanzânia, Vietnam, Etiópia, Burkina Faso, Benin e Gana.    

O real prossegue desvalorizado frente ao dólar numa combinação de crise interna alimentada pela corrupção no Ministério da Educação com a prisão de um ex-ministro e o cenário internacional de aversão ao risco. O dólar fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,2500 encolhendo 2.3% na semana. Os preços do açúcar seguem valorizados em reais por tonelada, ganhando em média R$ 60,00 por tonelada na semana.

Usinas capitalizadas e com estrutura de tancagem já avisaram que vão segurar o etanol até o início de 2023 considerando o valor adicional que o combustível deverá ter após o final do ano. Caso essa seja a tônica do mercado existe a possibilidade de vermos os contratos de outubro/22 e março/23 em NY refletindo essa atitude. Menor disponibilidade de etanol pode impulsionar os preços internos do produto atingindo a arbitragem dele com o açúcar e, portanto, NY pode subir.

Quatro meses se completaram da guerra da Rússia x Ucrânia e nenhuma perspectiva no horizonte de quando ela terá um desfecho. E parafraseando o então primeiro ministro britânico Churchill durante a Segunda Guerra Mundial, “não estamos no começo do fim, mas talvez no fim do começo”. Enquanto isso, o pessimismo acerca da economia global, a desaceleração da locomotiva China, a inflação (de alimentos e energia) que sacode o planeta combinados com elevação nas taxas de juros, desmotivam os investimentos e coíbem qualquer sonho de expansão no médio prazo.

No Brasil, evidentemente, a situação não é diferente, menos para aqueles que acreditam no desgastado discurso do ministro Paulo Guedes para quem a economia brasileira “está muito bem e melhor do que o resto do mundo”. Verdade seja dita, quem assiste às entrevistas do ministro – em geral para uma plateia de convertidos – fica impressionado com seus delírios acerca do universo paralelo que ele parece viver. Merece o Oscar de efeitos especiais (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting; 24/6/22)

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